Não conheço pessoalmente a Leonor, mas conheço uma grande amiga dela… Descobrimos, no facebook, que tínhamos esse elo a unir-nos. Temos pelo menos outro: a utilização das tecnologias no ensino. Teima em escrever-me em inglês! Ainda um dia lhe envio uma equação e, se nos conseguirmos entender, tomamos um café na Invicta!
Muito obrigado Leonor…

Leal, impetuoso, charmoso, com um coração enorme. Teimoso, muito interessante e corajoso, um senhor muito velhinho descalça os sapatos a toda a hora. Fica com os pés frios e roxos. Todos o chamam à atenção mas ele repete vezes sem conta e sorri. A sua alegria resignada mostra apreço pelos reparos mas não desarma perante a sua usual façanha. Porque o fará? Teria sido agricultor, pescador e gostava de sentir a terra, a areia ou a água do mar? Estaria habituado a isso? Algo assim lhe fazia falta? A sua radiância interior ofuscava as demais e muitos o mimavam como merecia pela sua entrega total à sua paixão, sentir o chão. Mas cuidavam dele para que não adoecesse por exagero. Pequenos gestos podem fazer toda a diferença e as recompensas são inteiramente mutuas. E é isto que nos faz verdadeiramente únicos e apreciados mesmo com nós de ideias.
Leonor Cristinå Santos
(Baseado em factos reais que observei entre idosos.)
Um nó de ideias
Leal, impetuoso, charmoso, com um coração enorme. Teimoso, muito interessante e corajoso, um senhor muito velhinho descalça os sapatos a toda a hora. Fica com os pés frios e roxos. Todos o chamam à atenção mas ele repete vezes sem conta e sorri.
A sua alegria resignada mostra apreço pelos reparos mas não desarma perante a sua usual façanha. Porque o fará? Teria sido agricultor, pescador e gostava de sentir a terra, a areia ou a água do mar? Estaria habituado a isso? Algo assim lhe fazia falta? A sua radiância interior ofuscava as demais e muitos o mimavam como merecia pela sua entrega total à sua paixão, sentir o chão. Mas cuidavam dele para que não adoecesse por exagero. Pequenos gestos podem fazer toda a diferença e as recompensas são inteiramente mutuas. E é isto que nos faz verdadeiramente únicos e apreciados mesmo com nós de ideias.
Leonor Cristin@ Santos (Technoeduca+ive)
(Baseado em factos reais que observei entre idosos.)
Outros textos neste desafio…
Desculpem todos os outros participantes, mas a história de hoje é especial. “O nó em ferro” foi deixado na caixa de comentário do ninguém lê com a seguinte introdução:
“Gosto muito deste blogue, nunca comentei nenhum, esta é a minha primeira vez”.
Claro que pedi desculpa à Didi por não poder moderar imediatamente o seu comentário pois queria, se me permitisse, publicá-lo como mais uma “história”.
Espero que me desculpes por ter “estragado” o teu primeiro comentário não o deixando passar…
Prometo que aprovarei imediatamente outro que por aqui apareça teu! Muito obrigado pela tua história que, embora muito curtinha, não podia deixar de colocar aqui.
Espero que todos os nós se desfaçam um dia.
Volta sempre, lê só se quiseres e comenta apenas quando te apetecer

O nó em ferro
O nó em ferro lembra-me uma prisão da minha vida, que é um nó que não se pode mexer porque está bastante preso às crenças familiares.
Didi
Outros textos neste desafio…
Hoje temos um texto escrito pela Isabela Figueiredo… No meio de entrevistas a rádio e a jornais e de todas as solicitações associadas ao seu novo livro (que vende como pãezinhos quentes), a Isabela ainda teve tempo para escrever uma bela história infantil, que ninguém vai ler, mas me prova que sempre é verdade que passa por aqui
Se querem ler mais histórias da Isabela passem pelo seu Novo Mundo e comprem o seu Caderno de Memórias Coloniais.
Muito obrigado Isabela.

Liberta
Havia uma menina que tinha um nó de arame dentro do vestido, e que sentia dores todo o dia. O nó enterrava-se na carne, picava, torturava-a. Só à noite, quando adormecia, uma luz descia sobre si e aliviava o seu sofrimento, retirando esse nó. Sonhava que voava. Que dava um impulso com as pernas, elevava-se, e voava sobre todos os lugares e pessoas, indo onde sempre desejara, como um pássaro de voo rápido. De manhã, vestia-se, ia para a escola, e a meio do caminho, sentia uma dor. Era a farpa de metal aguçado espetando-se no seu peito. Não sabia como lhe aparecia tal farpa dentro da roupa. Nem porquê. Não percebia esse mistério.
Um dia, revoltou-se. Não queria mais. Que Deus lhe desculpasse, se era Deus. Parou no caminho, atirou a mala para o chão, meteu a mão dentro do vestido e arrancou a farpa da perna esquerda, onde se tinha alojado nesse dia. Arrancou-a como se arranca uma amora madura. Olhou-a, liberta, escavou um buraquinho na terra e enterrou-a, pensando que ali iria enferrujar-se e desintegrar-se. O vestido ficou manchado de sangue da perna, mas continuou o seu caminho e lavou-o à noite.
Nunca mais lhe apareceu nenhum nó de arame farpado. E se lhe aparecesse, sabia que podia arrancá-lo sozinha e enterrá-lo bem fundo. Tinha aprendido que os nós de arame não têm nenhum mistério nem poder especial. Basta arrancá-los da carne. Que o poder, afinal, era dela.
Isabela Figueiredo (Novo Mundo)
Outros textos neste desafio…
A História de hoje foi enviada pela Sofia… Não sei o endereço de nenhum blogue, ou presença na Net, da Sofia. Mas se deixares nos comentários acrescentarei…
Muito obrigado pela participação!

A prima-dona
Fascinante a elegância daquela prima-dona, qual sonja henie, numa inclinação perfeita, menos: não nos teria dado a harmonia corporal com tchaikovsky, mais: teria feito um flik flak ou mesmo partido. Indizível. O belo não se diz, sente-se.
Fugiu-me do ecrã e qual sininho rodopiou em redor do ecrã sempre ligada a um faixa cor de fogo animada de uma graciosidade invulgar, por mais espectáculos de dança vistos, é quando percebo que a outra ponta da faixa toca o infinito e que, em grands jetés divinais, percorre-a.
Sofia
Outros textos neste desafio…
Mais uma participação. Esta da minha amiga Teresa Pombo de que já falei aqui. Muito obrigado Teresinha…

São e salvo
Quando abriu os olhos, à sua volta era só neblina. Nada. Não conseguia ver nada. Nada distinguia. Nada, a não ser aquela dor aguda no braço direito. “Que me aconteceu?” Foi a custo que se levantou e sustendo-se inclinado, apoiou a mão esquerda sobre o joelho e esticou o braço dorido. Abriu e fechou os olhos uma dezena de vezes. Por fim, lembrou-se: ah, sim, estava na praia. Conseguira puxar o barco e arrancá-lo das ondas naquele fim de tarde agitado. A faina fora curta. Mas não podia arriscar. Despedira-se do Zé Francisco. “Consegues, sozinho?” Deixa-me ir… prometi que se viéssemos cedo ainda comia uma sopa com os pequenos….”. Vai, dissera ele. Afinal, apesar dos seus 70 anos, ainda conseguia puxar o “Maria Papoila” até terra. principalmente em dias como aquele em que a pesca era aquele quase nada. Conseguira, pois! Mas não sem antes se ter magoado no ferro que sustera as redes. Maldito! A dor era forte. Devia ter desmaiado.
Teresa Pombo
Outros textos neste desafio…
Ps. Volto a destacar o texto da Teresa porque quando o coloquei de manhã tinha uma gralha (culpa minha)…
As minhas desculpas Teresa, agora penso que está bem, de qualquer forma só tu (e depois eu) é que lemos!
A segunda participação é da Margarida que tem um blogue que se chama Percursos onde deixa as suas histórias, impressões, desabafos, reclamações, divagações e memórias.
Obrigado por, desta vez, as teres deixado também um pouco aqui…

Acordar
Nem todos os arames farpados que nos prendem ou dividem são fisicos, os que não têm corpo são os que mais prendem e mais dividem.
Um dia vou acordar de manhã sem nenhum que me prenda ou que me impeça de chegar onde preciso…
Margarida (Percursos)
Outros textos neste desafio…
A primeira história que partilho foi enviada pela Luísa, que tem um blogue numa esquina da aldeia global. Disse-me que descobriu o Ninguém lê há uns meses pela originalidade do nome…
Muito obrigada Luísa por aceitar o desafio e por este texto. Volte sempre e vá dando notícias…Eu passarei também a frequentar a sua esquina.
Abraço
João

O campo Cercado
Há uma semana que estou presa neste campo cercado de arame farpado. Acordei aqui uma noite destas e dei por mim a caminhar por entre cores e sons, alguns mais familiares que outros. A cerca tem várias passagens e só pode ter sido por uma dessas passagens que eu entrei. Não consigo lembrar-me como aconteceu. As passagens estão guardadas por sentinelas atentas que não permitem que me escape daqui. Caminho ao longo da cerca e a cada posto de guarda tento perceber o que se passa para lá deste limite. Começo a sentir-me ansiosa e a curiosidade mata-me. Finalmente um dos guardas deixou escapar uma dica. É já na sexta-feira que se vão começar a abrir as passagens. Uma por uma. Vou então poder vaguear para lá deste arame, sair desta cerca e partir à descoberta dos campos que se estendem em redor. O guarda também me disse, que posso sempre voltar aqui. E sei que vou voltar.
Luísa (À esquina da tecla)
Outros textos neste desafio…
Nota1. Muito obrigado a todos(as) que já participaram em mais este desafio. Eu sei que arrisco muito ao colocar aqui textos que não são meus! Um dia ainda tenho que mudar o nome a isto, passando a chamar-lhe o blogue que ninguém lia!
Nota2. Algumas pessoas disseram que enviariam ainda textos. Podem continuar a fazê-lo, publicarei um por dia, mas cabe sempre mais um neste cantinho que ninguêm lê.
Nota3. Continuo à espera do teu, transmontana d’um raio. Não me castigues por ainda não te ter enviado a foto devida, está aqui e tem sido puro esquecimento!
Nota4. Girafinha de patins (ou sobre os nenúfares, cor de rosa ou de outras cores…) espero ainda também pela tua historia 
Nota5. Não tenho mais notas… era só mesmo para dizer que terei que me desenrascar apenas com moedas!
Olá,
Hoje escrevo para ti!
Sim, para ti que passas por aqui sem nunca dizer nada!
Já te apanhei uma vez ou duas a ler uns bocaditos, a ouvir uma musica e a olhar para uma das fotos!
Por isso aceita o desafio… Escreve um texto sobre a foto.
Bem sei que nem nos comentários escreves, mas isto é diferente: podes ter um post que ninguém vai ler!
Será coisa para contares aos filhos e até aos netos!
Na altura em que ainda havia blogues, e eu tinha o meu que todos liam, escrevi um texto que foi publicado onde ninguém leu!
Vá lá…. manda o texto vai ser uma vergonha se não recebo nenhum!
O desafio continua activo…
Continuo à espera de mais textos. A caixa de correio ainda não esgotou a sua capacidade
.
Isto só é um blogue que ninguém lê, não é um blogue onde ninguém escreve!
Seja solidári@…
… escreva também para ninguém ler!
Todos procuramos alguma coisa ou alguém…
Esta imagem procura uma história…
Enviem as histórias para jvt@ninguemle.org (ou para os comentários deste post) e serão publicadas ao ritmo de uma por dia, a partir da próxima sexta-feira.
Vejam só o desafio: Escrever num blogue que ninguém lê…
Tentador, não?