datetime 9 de Março de 2010 0:05

Desafio 3 (12) – Uma luta incógnita

Responderam ao desafio pessoas que não conheço, pessoas que conheço graças ao blogue e também uma pessoa que conheci muitos anos antes de saber o que era um blogue… A Deep é minha conterrânea. Respirou (e respira muitas mais vezes que eu) o ar da nossa serra… As nossas aldeias distam talvez uns 3 km e estudamos juntos  em Bragança, em meados dos anos 80. Seguiu letras e por isso -e por talento natural, também certamente- escreve sempre uns textos que me fascinam…. É  uma honra para mim poder ter aqui uns bocadinhos do que ela escreve…

Um grande abraço, amiga…

arame13_luisa

Uma luta incógnita

Na ânsia de evitar a investida do canídeo de respeitável porte que, atiçado pelo odor do seu medo, se lançara em sôfrega cavalgada, corria desenfreada.
Cego de pânico, o seu corpo embateu, de súbito, numa vedação de arame farpado. Lançou-se, instintivamente, contra o solo ainda húmido e lamacento das últimas chuvas.
Apoiada nos cotovelos, fez deslizar o corpo sob o exíguo espaço que separava o arame do chão. Antes que conseguisse ficar a salvo, viu-se detida por uma farpa que, na sua agressividade pontiaguda, lhe abriu um rápido, mas incisivo, rasgão na manga da blusa, que se prolongou pelo braço, num profundo sulco, onde começavam a formar-se pequenas gotas de sangue. Alheia ao ardor que provinha da ferida aberta, debatia-se para libertar o pé direito do sapato que, entretanto, o cão abocanhara pela ponta.
Quis gritar por socorro, mas os sons não passavam de meros esboços mentais. A sufocar de pânico, conseguiu voltar-se.
Abriu os olhos. Pelas frestas das persianas começava a entrar o dia. A roupa de cama em desalinho denunciava uma luta incógnita em que, porventura se lançara, durante o sono.

Na ânsia de evitar a investida do canídeo de respeitável porte que, atiçado pelo odor do seu medo, se lançara em sôfrega cavalgada, corria desenfreada.

Cego de pânico, o seu corpo embateu, de súbito, numa vedação de arame farpado. Lançou-se, instintivamente, contra o solo ainda húmido e lamacento das últimas chuvas.

Apoiada nos cotovelos, fez deslizar o corpo sob o exíguo espaço que separava o arame do chão. Antes que conseguisse ficar a salvo, viu-se detida por uma farpa que, na sua agressividade pontiaguda, lhe abriu um rápido, mas incisivo, rasgão na manga da blusa, que se prolongou pelo braço, num profundo sulco, onde começavam a formar-se pequenas gotas de sangue. Alheia ao ardor que provinha da ferida aberta, debatia-se para libertar o pé direito do sapato que, entretanto, o cão abocanhara pela ponta.

Quis gritar por socorro, mas os sons não passavam de meros esboços mentais. A sufocar de pânico, conseguiu voltar-se.

Abriu os olhos. Pelas frestas das persianas começava a entrar o dia. A roupa de cama em desalinho denunciava uma luta incógnita em que, porventura se lançara, durante o sono.

Deep (Letras são papéis)

Outros textos neste desafio…

datetime 8 de Março de 2010 23:23

Fotos que gostava de ter tirado (64)

gqgdttPorque hoje foi dia de oferecer flores às senhoras…

Créditos: REUTERS/Marko Djurica
datetime 23:13

Aquela praia…

praia_2

datetime 0:05

Desafio 3 (11) – Borboletas

O texto de hoje foi escrito pelo Guilherme, mas enviado pela sua esposa, a Isabel.

Não conheço nenhum dos dois, nem me recordo de os “sentir” por aqui… No entanto,  como a Isabel, também eu gostei muito  desta história…

Fico muito  agradecido aos dois por me darem oportunidade  de a partilhar aqui.

Muito obrigado

arame11_guilherme

Borboletas

As borboletas nunca voltam… Elas passam por aqui esvoaçando, subindo e descendo, como nós o fazemos durante toda a vida. Tal como nós, as borboletas não voltam. Nunca mais voltam! Deixam por aí um rasto imperfeito, visões coloridas como muitos dos nossos sonhos… Fazem um percurso sem destino, saltitante, imperfeito – como nós fazemos sempre que sonhamos e também em cada dia das nossas vidas! Flutuam no ar das primaveras, como nós, e fenecem como flores frescas que chegaram ao fim do seu tempo… Não há mistério na suave e silenciosa passagem de uma borboleta perante os nossos olhos. Nem elas deixam atrás de si um rasto de memórias, ao contrário de nós, que o deixamos, às vezes indecifrável para os outros, outras vezes como uma herança abençoada, uma recordação que perdura nos corações dos que ficam. Mal é quando esse rasto se perde na memória daqueles que, por tradição, se deviam lembrar de que as suas vidas foram o fruto de tantos sacrifícios, como se da forçada libertação de um casulo se tratasse, que a partida é dolorosa… Borboletas, afinal, somos nós todos, num percurso semelhante, comum no pó que nos espera!

Guilherme, 2010

Outros textos neste desafio…

datetime 7 de Março de 2010 23:50

Um violinista no telhado – If I were a rich man

datetime 22:32

Olhar o céu…

candeeiro3

datetime 0:15

Desafio 3 (10) – Aventuras

A foto despertou na Luísa recordações de criança… Agora que vive na terra das vacas, usa um blogue para nos mostrar um pouco dos costumes de lá… Vacas parece que há mesmo muitas, a acreditar no que nos diz:  ”há as castanhas e as malhadas, há as de trabalho e as leiteiras, há a que ri e há a roxa da Milka, há as de quatro patas e as de duas...”

Não a conheço pessoalmente, mas gosto de passar pelo seu canto e sei que também passa por aqui, mesmo não lendo…

Um grande abraço, que ajude a derreter a neve que por aí deve haver!

arame10_luisa

Aventuras

De repente, lembrei-me de quando era criança.  De quando eu passava a vida a “escabriolar” em cima das árvores e dos muros. Havia um particularmente interessante. Não era alto, era largo para os meus pés pequenos e tinha arame farpado no meio. Eu subia para o muro e caminhava com uma perna de cada lado do arame farpado. Com uma coisa tão simples, sentia-me o Macgyver (o grande herói da infância, a seguir ao grande Marco Paulo). Até ao dia em que rasguei os calções… A minha mãe bem que olhava para eles, mas não percebia a diferença. Só percebeu no momento de os lavar. É que eles tinham uma dobra no fundo e eu, para esconder o rasgão, dei-lhe outra. Resultado: umas belas palmadas, não pelo rasgão, mas por andar em cima dos muros. E o resultado das palmadas? Uma temporada sem aventuras à Indiana Jones!

Luísa (Na terra das Vacas)

Outros textos neste desafio…

datetime 6 de Março de 2010 0:05

Desafio 3 (9) – Arame farpado, linha da vida…

A história de hoje foi escrita pela Nenúfar cor-de-rosa, que já foi girafa da mesma cor. Encontrámos-nos  apenas umas duas ou três vezes mas sinto-a bastantes vezes por aqui (embora sem ler, bem sei…) e muitas vezes me avisa de gralhas (e alguns erros de palmatória) que detecta em primeira mão… Tem sempre um tempinho para responder aos meus desafios e por isso envio um abraço muito especial!

arame9_paulaxana

Arame farpado, linha da vida…

Quando lhe pergunto o que lhe sugestiona aquela imagem, ela diz que é uma faca e o rapaz fala em nós…para mim, é a vida…

Malabarista equilibro-me em cima dele – do arame. Tento raspar a ferrugem, alaranjada, esfregando com os pés e, talvez com as mãos, estas são úteis quando me desequilibro e, ao escorregar, me tento agarrar com força para não cair…é que eventualmente, cá em baixo não há rede e o chão é duro!!

Em que parte estarei eu? Na rectilínea, sem altos nem baixos?? Ou naquela que tem as farpas, provavelmente até no duro nó?? Teria piada, se a vida fosse assim num liso sem descontinuidades?

Há quem fique magoado com os picos, com as arestas e gumes afiados, dizem que parecem facas com lâminas cortantes, cruéis, impiedosas, outros há que se ferem só ao nível da epiderme….faz sangue, dói um pouco, mas logo sara, e cicatriza. Tudo depende de cada um, cada qual regenera a seu tempo, há quem nem regenere…são aqueles que andam tristes, infelizes, rostos amargos e sem sorrisos, nem olhares cúmplices. Os que conseguem superar, voltando a sua pele ao normal, não registando grandes indícios de sofrimento…a esses chamamos de heróis, são os fortes, diz-se que têm garra!!

A vida complica-se no nó, mas há quem o desfaça, porque mesmo sendo de arame forte, duro e cru, alguns são fáceis de desatar, basta a força de vontade e os sorrisos aos molhos, uma pitada de alegria e outros condimentos felizes. Outros há que tropeçam esfolando o nariz e fazendo nódoas difíceis de apagar…envolvem-se em tal rolo, embrulhando-se no próprio arame e criam e recriam nós e mais nós, que por serem enferrujados podem até provocar o tétano e empedernimento do coração!!!

Há que escolher o que ser no meio deste caminho, ou mesmo no princípio, eventualmente fim. Mas há que escolher ..e SER.

Mas…agora reparo…poderia ser uma mão em forte aperto, agarrando algo, as farpas os dedos e…vejo bem…tem dois arames juntos, em paralelo, caminhando num só sentido…mas isso, isso sim daria outra história e a foto não dá para tantas palavras…é que estas são como as cerejas e as fotos também!!

Nenúfar cor-de-rosa

Outros textos neste desafio…

datetime 5 de Março de 2010 23:00

Bom fim-de-semana…

Fiquem bem. Bom fim-de-semana….

Ps. Oiçam até ao fim apenas se aguentarem…
Não me responsabilizo!

datetime 18:32

Fotos que gostava de ter tirado (63)

fqgttPorque ainda olham o mundo com espanto!

Créditos: REUTERS/Bor Slana

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