Category: vida

Três dias em Espanha…

 

Foram apenas três dias em Espanha e, no entanto, foram três dias cheios. A ideia partiu da vontade da I. de ver animais… Como estávamos em Trás-os-Montes subimos ainda um pouco mais para ver Cabárceno, um parque natural, muito perto de Santander, onde os animais andam em semiliberdade (Não se admirem se nos próximos dias aparecerem fotos de animais por aqui :-) ).

De caminho ainda demos um pulinho à sempre bonita Santillana del Mar  e, no regresso, passamos por Madrid.

Se a I. gostou dos animais, o A. preferiu as obras do Prado ou poder estar a poucos centímetros de  um autentico Stradivarius.

Lembro-me de visitar pela primeira vez o Palácio Real e  de pensar, ao ver as colecções de armaduras, que teria que voltar ali com ele. Fascina-me o seu fascínio pela história. Fascinam-me as conexões que faz, sobre quem vestiu esta armadura, sobre esta ou aquela rainha, que aparece num quadro, ser portuguesa.

Passear entre os animais ou pelos corredores e salas do  Prado, com vocês, foi um privilégio. Ver as obras de Goya em tão boa companhia não tem preço…

Obrigado!

Trás-os-Montes

Alguma coisa me chama e faz regressar às origens…
Voltar à terra que me viu crescer e onde todos me conhecem pelo nome.
Nunca fui um homem da cidade, na minha aldeia não há semáforos!
Será por pouco tempo, mas valerá certamente a pena se voltar com mais energia.

Até já!

A torneira

Sexta-feira a misturadora da cozinha resolveu partir, pondo assim fim a quase 20 anos de existência e bons serviços…

Sempre soube que o bricolage não era a minha praia mas, mesmo assim, fui comprar a substituta na esperança de eu próprio a colocar.

Consegui tirar a velha, primeira vitória… Infelizmente não eram exactamente da mesma largura e, digam o que disserem, neste caso o tamanho conta e alguns milímetros podem fazer toda a diferença!

Telefono para a loja que me vendeu a torneira para saber se não conhecem um canalizador que me venha resolver o problema. Argumento que não tenho ferramenta adequada e, embora se prontifiquem para me emprestar, sei que além da ferramenta teriam que me emprestar um pouco de jeito para canalizador… coisa que não teriam disponível certamente!

Assim, optei pelo telefone de um especialista… Telefono-lhe mas diz-me que está em Lisboa, só poderá passar bastante mais tarde. Concordo. Passado pouco tempo recebo um telefonema do filho que me diz poder vir ele tratar do caso porque está por perto. Poucos minutos depois aparece um rapaz novo, musculado, certamente com menos de 30 anos!

Mostro-lhe a obra que ataca de imediato com convicção e muita, muita força… Aparentemente bastaria rodar uns centímetros o adaptador para que a nova torneira pudesse ser colocada…

Puxa, geme… e nada, nem um milímetro! Começa a partir o azulejo à volta do cano e eu começo a não gostar… Não tenho outro para substituir e não quero a parede esburacada!

Muda de ferramentas, puxa mais um pouco… nada!

Ao fim de 15 minutos desiste, dizendo que eu já tinha estragado as roscas! Questiono se não será de chamar o pai, que terá mais experiência? Não! o pai, afinal, é ladrilhador e ele é que é o canalizador! Para trocar a torneira  teria que rebentar a parede e estragar (ainda mais)  os azulejos … Não quero, vou tentar outras soluções…. Pergunto-lhe quanto lhe devo… “são só 10 euros”…. para a gasolina!

Está na hora de por em marcha o plano B, e de perceber que não sou grande coisa a ordenar os planos!

Conhecia desde há muito um canalizador que era meu antigo vizinho e resolvia estas situações… Confesso que já nem tentava eu resolver os problemas… No entanto quando precisei de instalar um autoclismo, o ano passado, procurei-o várias vezes sem nunca o encontrar… Acabei por fazer eu o serviço e ficar com um autoclismo a pingar… até ontem!

Como eram  quase 9 da noite havia gente na casa que pensei ser a sua. Afinal a casa era ao lado e ele também estava!

Explico-lhe o sucedido, combinamos para o dia seguinte de manhã.

Mal chega, coloca as chaves, faz uma espécie de alavanca e ao primeiro minuto percebo que este senhor, sem grandes músculos, me resolveria o problema!

Infelizmente o adaptador  nem se mexe, e ele também percebeu que não se mexeria por muita força que fosse feita… Voltamos a sua casa para trazer mais ferramenta: Um maçarico e massa para disfarçar o azulejo partido. Desculpo-me pela dificuldade do biscato… Ele sorri e diz-me apenas que se fosse fácil não precisava de ter vindo…

Ao fim de 2 horas, utilizando calor e muito mais a inteligência que a força, tenho a torneira posta sem partir mais nada…. Não houve uma queixa ou um reparo ao trabalho  feito pelo colega, apenas preocupação de disfarçar os estragos…

Ainda há tempo de arranjar o autoclismo que verte, retira-se e coloca-se mais abaixo… nem uma gota!

No fim a conta, de mais de 3 horas de trabalho, são 15 euros. Insisto que leve também uma garrafa do melhor vinho que encontro na garrafeira para o seu almoço e fico, claro, com o seu contacto prometendo que nunca mais ninguém encosta uma chave nas torneiras cá de casa enquanto ele trabalhar!

Ontem fiquei, mais uma vez, a perceber a diferença entre um jeitoso e um profissional… Suponho que o primeiro conseguirá resolver pouco mais que os problemas que eu próprio resolveria com a ferramenta adequada…. Quanto ao segundo, que já está na reforma, tem os anos de experiência que falam por si…

A verdade é que, a ele, não teria hesitado um segundo e deixaria partir o(s) azulejo(s) se fosse necessário!

Cruzeiros no Tejo

As viagens para Lisboa estão quase a acabar.

Ficam assim para trás dois anos de cruzeiros no Tejo duas vezes por dia.

O barco continuará a atravessar o rio  várias vezes por dia. Outro se sentará no meu lugar, no primeiro andar.

Ao longo destes dois anos dei pela falta de algumas pessoas e dei pela chegada de outras…

A vida é mesmo feita de partidas e chegadas…. de barcos e de pessoas!

No entanto, o mundo continuará a girar e, naquele barco, poucos notarão que falta mais um!

Joe Dassin - Ca Va Pas Changer Le Monde

TGV

Qualquer semelhança com o filme “O Turista” é mera coincidência. No entanto, conheci-a num comboio de alta velocidade!

Bom, o nosso não ia para Veneza, fazia a ligação entre Madrid para Saragoça!

Sentou-se a meu lado e ligou logo um portátil, desses pequeninos, para consultar o programa do congresso. O mesmo em que eu  participaria, em Saragoça, a partir dessa tarde. Perguntei-lhe se sabia o local onde decorreria pois, organizado como sou, não tinha levado essa informação. Sabia e até me deu um mapa da cidade com o lugar devidamente assinalado. Era também professora de Matemática, era também uma entusiasta da utilização das TIC! Gostava  de conversar e, de repente, a viagem tornou-se muito mais curta!

Falámos dos filhos, de Matemática, de Tecnologias e senti imediatamente, mais uma vez, que não é a nacionalidade que define o interesse das pessoas!

Nessa tarde apresentou-me aos seus colegas galegos que participavam também no  congresso e foi com eles que, nessa noite, descobri alguns dos bares da cidade, numa ronda de tapas bem original.

Gostei logo desse grupo de galegos, confesso!

Graças a eles senti-me um pouco em casa… Quando lhes perguntei, depois da minha comunicação, “Que tal, safei-me com o castelhano? Um deles simplesmente sorriu e disse: “El gallego me encanta!” e eu soube  que não tinha falado castelhano mas sim portunhol!

Trocamos moradas electrónicas e cada um seguiu para o seu canto… Voltaram as rotinas, à falta de tempo habitual. Até que hoje recebi na caixa do correio dois livros autografados por essa professora fascinante que não compreende como se pode ensinar Matemática sem calculadoras ou sem tecnologias, mas também escreve livros a explicar como  por vezes se ensina dobrando simples folhas de papel!

Estaria mais umas horas a falar contigo, Jesús, mas isto hoje é o melhor que posso fazer!

Muito obrigado, tenho a certeza que voltaremos a conversar um dia!

Unha aperta!

Caminhar ao luar

Ontem, noite de lua cheia, juntei-me a mais de duas centenas de caminheiros e, atrás de Carlos Garcia, percorremos cerca de 10 km (ia jurar que eram 20!) na zona da Caparica.

Há muito que não andava tanto, mas julgo que redescobri o prazer das caminhadas.

Não nos cruzamos com nenhum lobisomem, no entanto, e  apesar da pouca luz, juraria que connosco caminhavam alguns anjos!

 

 

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Porque há números que deixam qualquer pai feliz!

Parabéns puto, estou muito orgulhoso!

 

Por que não chamar-lhe amor?

“Nós vencedores” é o título de um programa da Antena 1, da autoria de Sónia Santos.

Por vezes, quando volto para casa, oiço os pouco mais de seis minutos diários de emissão. A ideia é simples, trazer à antena relatos, na primeira pessoa, de gente que venceu! E o que venceu esta gente?  Todas as semanas o tema varia e as conversas podem ser com pessoas que venceram a crise, o cancro ou um vício…

São, geralmente, pessoas positivas, que não se deixaram abater perante os problemas ou que, simplesmente, resistiram como já poucos o fazem!

O tema desta semana é o amor!

Os vencedores são pessoas que estão juntas  e continua a amar-se (ou a afirmá-lo) ao fim de 50 ou mais anos.

Ouvi o casal de hoje e senti essa paixão!

Como se sente a paixão nas ondas de uma rádio?

A determinada altura confidenciava a senhora que ainda adormeciam todas as noites de mãos dadas… Claro que durante a noite as largavam, mas continuavam a adormecer assim ao fim de mais de 50 anos a dormirem juntos. A jornalista aproveitou  para explicar aos ouvintes que era também de mãos dadas que gravavam o programa.

Podendo enganar-me, como faço tantas vezes, para mim essas provas bastam!

Se depois de 50 anos continuam a dar as mãos para dormir, ou para dar entrevistas, há alguma coisa de muito forte a ligar estas duas pessoas.

Por que não chamar-lhe amor?

 

O meu puto, quando já quase não era puto!

O meu puto, quando era puto!

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