A revista Orsai
A revista Orsai não sofre com o fenómeno da pirataria. No entanto, está também na Internet, em formato PDF.
Quem a comprou, na sua versão em papel (mais de 10 000 exemplares), sabia que isto iria acontecer, que, em breve, estaria disponível de forma gratuita e legal.
Os mentores da ideia de criar uma revista literária de produção independente quiseram precaver-se contra o fenómeno de poderem, de repente, ficar milionários. Por isso, engendraram um modo de distribuição muito peculiar que designaram de pirâmide invertida. A revista, em papel, com um pouco mais de 200 páginas, foi enviada para todo o mundo em lotes de 10, custando cada uma o equivalente a quinze jornais de sábado no país de destino (em Portugal suponho que o equivalerá ao preço do expresso multiplicado por 15). Cada distribuidor é livre de vender cada uma das 10 revistas ao preço que entender e quem as comprar poderá depois revender o seu exemplar ao preço que desejar… Não haverá segunda edição deste número e os autores não querem receber mais nada pelo trabalho seu trabalho. Fizeram as contas e dizem que já receberam o suficiente (mesmo antes de realizar o trabalho!), já pagaram a todos os artistas que foram convidados a escrever ou desenhar para este número, não querem mais dinheiro!
Há anos que, como milhares de pessoas, sigo o Orsai (um blogue onde se “batem” por tecer o primeiro comentário, mesmo antes de ler o que o autor escreve!) e o trabalho do Hermán Casciari, um argentino a viver em espanha.
A revista será um existo, tenho a certeza. Vão agora preparar o número dois, enquanto centenas de pessoas fazem chegar, um pouco de todo o mundo, fotos com a revista na mão.
Tenho a certeza que muitas editoras (não só de revistas mas também de música) poderiam retirar lições deste caso que estudarão certamente.
Até porque Hermán Casciari parece ter descoberto como acabar com a pirataria!





