Crescemos como irmãos…
Crescemos como irmãos na diferença da nossa cor e na semelhança dos nossos olhares. Invejava o brilho negro das tuas penas, ao passo que me entristeciam as minhas descoradas. Vejo-te por fora mas é como se me visse a mim por dentro. Aprendemos juntos as primeiras danças na água e trocámos as pequenas iguarias que cada um apanhou. Eu não sou sem ti. Por isso o teu adeus é dizer adeus a uma parte de mim. Dizes que vais agora porque a nossa diferença te é dolorosa, porque sempre que caminhamos e nadamos juntos não consegues esquecer que tu és preto e eu sou branca. Dizes que de ti as crianças fogem, que a ti dão menos pão, que nunca te sorriem e que às vezes até te atiram pedras. Eu nunca reparei em nada disto, ofuscada da ternura que era te ter ao meu lado. Deixo que vás mas quero dizer-te: o negro é a cor mais bela do mundo, especialmente quando o nosso bico é cor de laranja. Vou repetir isto todos os dias até que, mesmo sem ouvir, acredites.
Texto da ~CC~, publicado originalmente, em 15 de Janeiro de 2008, num blogue que ninguém leu!



