Category: Poesia
Em busca de frescura

Levei o barco até meio do rio
E esperei que a tarde caísse.
Esperei que o Sol
Abrandasse essa sua força
Que mal me deixa respirar
E mergulhei as mãos na água.
Levei o pensamento
Até meio do rio
E esperei que as recordações
Se abandonassem aos meus pedidos.
Levei o coração comigo
E esperei que acalmasse.
Trouxe de volta calma e frescura
E apeteceu-me ficar no meio do rio.
Fiquei.
Levo este barco até meio do rio
Tal como cheguei a meio da vida.
Pensamento e coração.
Ondas, marés e tempestades.
Margens, portos, ancoradouros.
Viagens.
E do meio do rio,
Olhando o azul da água,
Sentido a frescura da sua água,
E a carícia do seu ondular,
Regresso à margem.
Trago o barco e
Volto do rio.
Tess, 6.07.2010
Ps. Poema escrito hoje pela amiga Teresa Pombo
Em frente…
A minha amiga Teresa Pombo escreveu estas palavras sobre a minha foto:
Em frente
Imóvel
Apenas o tom com que olhamos o mundo muda.
Imóvel
Impenetrável
Não sei se sorri
Ou não
Nem sequer imagino
O que pensa.
Em frente
Nem mais
Nem menos
À esquerda ou à direita.
Adivinha
Melhor….
Conhece o futuro
E enfrenta-o.
Nada o demove
Nada o transforma
Só o olhar
E sobretudo
Essa cor
Que com o olhar
Traz ao mundo!”
Tess, 5.05.2010
Obrigado Teresa
Coisas que roubo, sem vergonha! (2)
Sei que é preciso sonhar.
Campo sem orvalho, seca
A frente de quem não sonha.
Quem não sonha o azul do vôo
perde seu poder de pássaro.
A realidade da relva
cresce em sonho no sereno
para não ser relva apenas,
mas a relva que se sonha.
Não vinga o sonho da folha
se não crescer incrustado
no sonho que se fez árvore.
Sonhar, mas sem deixar nunca
que o sol do sonho se arraste
pelas campinas do vento.
É sonhar, mas cavalgando
o sonho e inventando o chão
para o sonho florescer.
Thiago de Mello
Roubado descaradamente à Deep (Letras são papeis)
Yo lo he robado!
Yo no te pido
Yo no te pido que me bajes
una estrella azul
solo te pido que mi espacio
llenes con tu luz.
yo no te pido que me firmes
diez papeles grises para amar
sólo te pido que tu quieras
las palomas que suelo mirar.
De lo pasado no lo voy a negar
el futuro algún dia llegará
y del presente
que le importa a la gente
si es que siempre van hablar.
Sigue llenando este minuto
de razones para respirar
no me complazcas no te niegues
no hables por hablar.
Yo no te pido que me bajes
una estrella azul
solo te pido que mi espacio
llenes con tu luz
Mario Benedetti
Lo eh robado en la Poeira dos dias
Quase um post…
Quero falar-te do silêncio
e de como, nas horas de degredo,
amor e ódio se confundem.
Quero contar-te como, nas esperas,
a alma se perde em devaneios,
como as mãos se afundam, esquecidas,
no regaço, sem vida que as eleve.
Quero ouvir-te clamar,
aos quatro ventos e aos deuses todos,
que o amor é só um jogo que eles
inventaram para iludir a solidão.
Gostava de saber fazer um post que me tornasse digno de “roubar” este quase poema.
Desculpa Deep, não resiti a roubar-te dois dias de seguida…
Talvez seja por isso que frequento poucos blogues…
Não resisto a trazer, para onde ninguém lê, as maravilhas que vou encontrando…
Se fizeste “quase um poema”… Eu quase que ia escrevendo um post com ele!
Obrigado!
De fios e pó
De fios e pó
Apenas uns grãos de pó
e fios desfeitos
É o que parece que sobra de nós
Ou dos nós que fizemos.
Esquecer que os fios são corda forte
E que o pó já foi terra e chão seguro
Sentir que nos escapa das mãos
O sonho que sonhámos juntos.
Sentir que há algo que tudo une
E que me une a mim mesma
Me faz toda, única, una, junta e forte
Forte, segura, pó e terra, fio e corda
Lágrima e sorriso
Sonho e vida.
Saber que a corda mais forte
É a que faço da minha vida
E que o chão mais seguro
É o que vou pisando
Dia após dia.
Tess, 06.02.2010
A foto é minha, uma corda esquecida na Caparica, as palavras são da Teresa.
Tudo de ontem.
Obrigado amiga!
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Espero-te

Espero-te
Não sei se mais
Agora
Do que
Antes
Mas aguardo-te.
Contemplo as ondas
Que vêm…
E vão….
E voltam…
Segura da luz
Do teu farol
Que não se apaga.
Não receies.
Não receies a intempérie
Porque gosto do mar assim
Vês como se esconde?
Vês como estou segura aqui?
Espero-te,
Aguardo-te,
Não sei se mais agora
Se menos antes
Mas…
Gosto de esperar por ti
Porque sei que chegarás!
PS. Poema de Teresa Pombo para uma foto minha….
Obrigado Teresa
Morreu um poeta…
E eu, que nem sempre acreditei em poetas, fico também com um nó no estômago.
Nem sempre soube o que os leva a por no papel as palavras que só alguns entendem…
No entanto, por vezes, quando os lemos, damos por nós a pensar como é possível alguém escrever o que nos passa pela alma. Como é possível que consigam dizer/escrever emoções numa folha de papel? Como podem saber o que sentimos?
Penso que só há uma resposta!
São pessoas que sentem, que amam e, sobretudo, pessoas que não temem dizê-lo porque, acreditem, todos os poetas são homens e mulheres fortes!
Todos nós sentimos um dia vontade de gritar aos quatro ventos que amamos alguém… Só os poetas têm coragem para o fazer.
Unas veces me siento como pobre colina
Unas veces me siento como un acantilado
A veces uno es manantial entre rocas
Mario Benedetti
Ps. Um dia gostava de ser poeta!
Não posso adiar…
Não posso adiar o amor para outro século
“Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.“
António Ramos Rosa





