Category: Poesia

Yo lo he robado!

Yo no te pido

Yo no te pido que me bajes
una estrella azul
solo te pido que mi espacio
llenes con tu luz.
yo no te pido que me firmes
diez papeles grises para amar
sólo te pido que tu quieras
las palomas que suelo mirar.
De lo pasado no lo voy a negar
el futuro algún dia llegará
y del presente
que le importa a la gente
si es que siempre van hablar.
Sigue llenando este minuto
de razones para respirar
no me complazcas no te niegues
no hables por hablar.
Yo no te pido que me bajes
una estrella azul
solo te pido que mi espacio
llenes con tu luz

Mario Benedetti

Lo eh robado en la  Poeira dos dias

Quase um post…


praia

Quase um Poema

Quero falar-te do silêncio
e de como, nas horas de degredo,
amor e ódio se confundem.

Quero contar-te como, nas esperas,
a alma se perde em devaneios,
como as mãos se afundam, esquecidas,
no regaço, sem vida que as eleve.

Quero ouvir-te clamar,
aos quatro ventos e aos deuses todos,
que o amor é só um jogo que eles
inventaram para iludir a solidão.

Deep

Gostava de saber fazer um post que me tornasse digno de “roubar” este quase poema.
Desculpa Deep, não resiti a roubar-te dois dias de seguida…

Talvez seja por isso que frequento  poucos blogues…
Não resisto a trazer, para onde ninguém lê, as maravilhas que vou encontrando…
Se fizeste “quase um poema”… Eu quase que ia  escrevendo um post com ele!
Obrigado!

De fios e pó

fototeresa

De fios e pó
Apenas uns grãos de pó
e fios desfeitos
É o que parece que sobra de nós
Ou dos nós que fizemos.

Esquecer que os fios são corda forte
E que o pó já foi terra e chão seguro
Sentir que nos escapa das mãos
O sonho que sonhámos juntos.

Sentir que há algo que tudo une
E que me une a mim mesma
Me faz toda, única, una, junta e forte
Forte, segura, pó e terra, fio e corda
Lágrima e sorriso
Sonho e vida.

Saber que a corda mais forte
É a que faço da minha vida
E que o chão mais seguro
É o que vou pisando
Dia após dia.

Tess, 06.02.2010

A foto é minha, uma corda esquecida na Caparica, as palavras são da Teresa.
Tudo de ontem.
Obrigado amiga!

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Carlos Drummond de Andrade

Espero-te

banco
Espero-te
Não sei se mais
Agora
Do que
Antes
Mas aguardo-te.

Contemplo as ondas
Que vêm…
E vão….
E voltam…
Segura da luz
Do teu farol
Que não se apaga.

Não receies.
Não receies a intempérie
Porque gosto do mar assim
Vês como se esconde?
Vês como estou segura aqui?

Espero-te,
Aguardo-te,
Não sei se mais agora
Se menos antes
Mas…
Gosto de esperar por ti
Porque sei que chegarás!

Tess, 05.08.2009
PS. Poema de Teresa Pombo para uma foto minha….
Obrigado Teresa

Morreu um poeta…

E eu, que nem sempre acreditei em poetas, fico também com um nó no estômago.

Nem sempre soube o que os leva a por no papel as palavras que só alguns entendem…

No entanto, por vezes, quando os lemos, damos por nós a pensar como é possível alguém escrever o que nos passa pela alma. Como é possível que consigam dizer/escrever emoções numa folha de papel? Como podem saber o que sentimos?

Penso que só há uma resposta!

São pessoas que sentem, que amam e, sobretudo, pessoas que não temem dizê-lo porque, acreditem, todos os poetas são homens e mulheres fortes!

Todos nós sentimos um dia vontade de gritar aos quatro ventos que amamos alguém… Só os poetas têm coragem para o fazer.

Estados de ánimo

Unas veces me siento como pobre colina
y otras como montaña de cumbres repetidas.
Unas veces me siento como un acantilado
y en otras como un cielo azul pero lejano.
A veces uno es manantial entre rocas
y otras veces un árbol con las últimas hojas.
Pero hoy me siento apenas como laguna insomne
con un embarcadero ya sin embarcaciones
una laguna verde inmóvil y paciente
conforme con sus algas sus musgos y sus peces,
sereno en mi confianza
confiando en que una tarde te acerques y te mires,
te mires al mirarme.

Mario Benedetti


Ps. Um dia gostava de ser poeta!

Não posso adiar…

Não posso adiar o amor para outro século

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

António Ramos Rosa

Ps. Ouvido há minutos na Antena 1, no programa “O amor é…” de Júlio Machado Vaz e Inês Meneses e encontrado, em versão digital, aqui.
Ps2. A “malta” da minha geração, que nasceu no século passado, compreenderá que o poema está hoje bem mais actual que em 1998… O próximo século está ainda longe, muito longe!

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