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Ouvi ontem, na TSF, no programa “Pessoal e Intransmissível”, uma entrevista a Nando Parrado. Nando Parrado foi um dos sobreviventes da que ficou conhecida como “Tragédia dos Andes” ou ainda “Milagre dos Andes”. A tragédia e o milagre aconteceram em 1972 quando um avião da Força Aérea Uruguaia que transportava uma equipe rugby teve um acidente nos Antes. Dos 29 sobreviventes ao impacto inicial, 16 seriam resgatados 72 dias após a tragédia principalmente devido à coragem de dois deles, Nando e um colega, que andaram 10 dias pela neve até encontrar ajuda. A tragédia ficou ainda conhecida por, para sobreviverem, terem tido que se alimentar dos corpos daqueles que já tinham falecido. Confesso que foi este o pormenor que recordei quando comecei a ouvir a entrevista. Talvez por ser o facto que toda a imprensa mais tem realçado. No entanto Nando não o valoriza em demasia, compara-o mesmo à doação de órgãos tão comum nos nossos dias. Eles apenas deram o seu corpo para nos salvar e todos os que ainda viviam concordavam que os seus também fossem utilizados caso viessem a falecer.
De toda a entrevista realçou um aspecto que me tocou. Ele, e os restantes 15, desafiaram a morte! As buscas foram abandonadas ao fim de 10 dias, todos desistiram… excepto eles! Quando regressaram, ao fim de quase três meses, todos os julgavam mortos. As missas tinham sido rezadas. Quando chegou a casa o vizinho cortava a relva, como fazia todas as semanas, o mundo tinha continuado, mesmo sem eles. Foi este um dos ensinamentos que retirou da experiência de ter estado morto para o mundo… de que a vida, afinal, continua sem nós…





