Category: cinema

Avatar vs Pocahontas

avatar_vs_pocahontasAinda não vi o Avatar, vou antes rever a Pocahontas.

Encontrado no facebook, no mural do Rui Lourenço.

Welcome

welcomeBilai, um jovem Iraquiano, de 17 anos, quer chegar a Inglaterra. Anda 4000 km, a pé, até Calais e é aí, a 32 km do seu objectivo,  que se desenrola a história deste filme francês, com nome inglês, realizado por Philippe Lioret .

Welcome é também a inscrição que se pode ler no tapete do vizinho de Simon, um professor de natação que resolve ajudar Bilai, pondo em risco a sua própria liberdade. Welcome é a inscrição no tapete do vizinho que o denuncia à polícia por deixar entrar refugiados em sua casa, onde não há tapete de boas vindas, e que o julga pela bitola dos seus preconceitos,.

Num mundo globalizado, onde os produtos passam fronteiras livremente, chegando às nossas mãos a preços quase impossíveis de acreditar, fazendo enriquecer cada vez menos gente e escravizar cada vez mais, os Homens ainda são bloqueados bem perto de nós. São impedidos de entrar em “ilhas” , mas também em supermercados. Negam-lhes um banho para depois os rejeitar porque cheiram mal.

Simon acaba por admirar a coragem do jovem Bilai, que sonha ser futebolista no Manchester. Tentará atravessar a mancha a nado porque não procura apenas liberdade mas também o amor. Embora não comece a ajudar pelos motivos mais nobres, ou de forma espontânea, Simon demonstrará ser um amigo à altura, um amigo capaz de arriscar por uma amizade, de dar o que tem de mais valioso.

Mais um filme surpreendente para quem não procura sempre um final feliz… Um filme que nos deixa a pensar na capacidade de luta de algumas pessoas e povos,  que nos faz pensar nas distâncias que julgamos longas, nas barreiras que julgamos intransponíveis… Um filme que, como tantos outros, poderia/deveria ser visto na escola num país onde ainda há bem poucas décadas também se passavam os Pirenéus “a salto”.

Dois filmes, numa tarde de chuva

thevisitorHá dias assim…

Com a chuva e o mau tempo acabamos por ficar  o dia todo por casa.

Hoje tive um dia desses e poderia vir aqui lastimar-me, invejar aquelas que foram ver a “minha” serra, mas não. Também há vantagens e uma das primeiras  vantagens que a esta hora me vem à cabeça é o facto de, quando a noite chega, nem precisamos de vestir o pijama.

Outra foi ter tempo para ver dois filmes.

Um deles era francês e outro americano.

Gostei dos dois embora, em abono da verdade, terei que dizer que não são comparáveis. Não jogam na mesma categoria, no mesmo campeonato…

Quem me conhece desconfia já que troço pelo francófono… Mas não, contra factos não há argumentos…

Gostei de “L’emmerdeur“, dei umas boas gargalhadas mas… mas está a milhas de distância do segundo filme que vi esta tarde!

O segundo classificaria-o naquela categoria dos filmes que todos deveriam ver um dia… Nos filmes que, um dia, gostaria que os meus filhos vissem! Podem também ver “L’ emmerdeur”, claro… mas é opcional!

Bom, o segundo filme que vi foi “The visitor“, escrito e dirigido por Thomas McCarthy em 2007.

Não vou desvendar a história, muitos já o terão visto e outros terão ainda o prazer de o ver… É um filme cheio de mensagens: algumas bonitas, outras tristes. Umas de injustiça, outras de esperança.

Quem sabe se não nos cruzamos todos os dias com uma imensidão de gente que tenta tocar piano…. quando deveria aprender a tocar tambor?

Se puderem, mesmo que tenham que procurar um pouco, não percam e depois…. Digam-me se não valeu a pena!

Boa noite!

Livros que inspiram blogues que se tornam livros que inspiram filmes que inspiram posts…

julie_and_julia_ver2_xlgComplicado? Eu também estou confuso, mas é mais ou menos isso que acontece na trama das Julias…
Em 1961 Julia Child publica um livro de receitas “Mastering the Art of French Cooking”. Em 2002 Julie Powell resolve tentar fazer as 524 receitas de Julia em 365 dias e relatar a aventura num blog . O blogue é um sucesso e, em 2005, passa a livro. A história chega finalmente ao cinema, em 2009, com Meryl Streep como protagonista….

Confusos? Vejam o filme…

Não gostei especialmente  dos exageros da Maryl Streep, que, na minha opinião, já fez bem melhor… Mas, mesmo assim, vale a pena pensar nas voltas que a escrita pode dar…

Um dia até este blogue, que ninguém lê, poderia inspirar um livro que ninguém compraria… que por sua vez,  inspiraria um filme que não seria visto por ninguém…

Tudo é possível… Mantenham a esperança!

Entretanto aposto que não consigo ter 30 comentários, de pessoas diferentes, apenas nesta mensagem, em 3 dias.

A razão é simples… Ninguém leu o que escrevi até aqui… ou mesmo lendo, partindo do princípio que  30 pessoas  passaram por aqui, não tiveram  paciência para me aturar!

Fica o desafio…

…a todos os que passam por aqui, mesmo  sem ler!

Whatever Works

wwComo de qualquer outra pessoa, de qualquer outra coisa, há quem goste e quem não goste. Quando se trata de um realizador podemos ainda gostar da pessoa e não do seu trabalho ou vice-versa!

Eu gosto do Woody Allen! Da pessoa e dos seus filmes! Vi há poucos dias “Whatever Works” e, mais uma vez, rendi-me ao mestre. Aceitarei que me digam que já fez melhor, que é chato, que é feio! Eu gostei do seu sentido de humor, das piadas das situações, por vezes tão exageradas que roçam o absurdo em que nos envolve… Não pude deixar de imaginar uma jovem a apaixonar-se por ele e a dar-lhe o mote para o argumento…

Será possível uma mulher jovem, bonita, apaixonar-se por um “entradote” coxo? Bom terá que se habituar a andar sempre com Viagra no bolso, mas… porque não?!

Dei umas boas gargalhadas com os diálogos e achei piada às principais personagens… Não é um “Match Point “, nem um “Vicky Cristina Barcelona” mas… é um Woody Allen e isso, para mim, já é sinónimo de boas gargalhadas!

Michou d’Auber

michou-d-auber-19363Poderíamos voltar ao tema dos filmes e dos livros… Poderíamos discutir se antes do filme, realizado por Thomas Gilou em 2007, existiu um livro que conta a mesma história… Desconheço. Se existiu, será um livro bom, um livro que não preciso de ler para poder avaliar.

No entanto, não consigo imaginar um Georges diferente do interpretado por Gérard Depardieu. Não consigo imaginar outra criança de cabelo pintado de loiro, nem outra mãe adoptiva de olhar mais doce.

Revi o filme ontem. Tinha-o visto quando passou nos cinema. É certamente, entre os filmes que vi até hoje, um dos que melhor retracta os preconceitos, o racismo, as relações familiares.

No início da década de 1960, um pai, de origem argelina,  vê-se forçado  a separar-se dos filhos porque a mulher foi internada. A tensão em França era grande. Muitos homens tinham combatido na guerra da Argélia, e entre eles Georges.  A esposa, Giséle, acolhe temporariamente crianças porque precisa do dinheiro da segurança social. Sabendo os riscos que corre resolve levar a única disponível, nascida em França mas de origem Argelina. Pinta-lhe o cabelo e assim transforma o pequeno Messaoudi em Michou, Michou d’ Auber. Conta com a cumplicidade da criança, do professor e do padre da aldeia.

Aos poucos Michou conquista o coração de Giséle e de Georges. Aos poucos formam uma pequena família que vive feliz durante dois anos. Michou acaba por se tornar, mais que o centro dos problemas que inicialmente se adivinhavam, o factor que une o casal.

No fim, quando o verdadeiro pai o reclama, Georges terá de lhe explicar que as estrelas podem mudar de nome mas brilham sempre do mesmo modo…

Michou parte, mas leva-os no coração… Um dia vão juntos ver o mar!

Um filme a ver ou a rever… Um filme especial que podia/devia passar na escola!

Os livros são sempre melhores que os filmes!

Os livros são sempre melhores que os filmes.

Esta é a verdade, pura e dura!

Quando vemos um filme, depois de ler o livro que lhe deu origem, verificamos invariavelmente que as personagens não são como as idealizamos, os lugares não são os mesmos, as ruas são mais largas, as casas mais pequenas, os jovens mais novos, as mulheres mais altas ou mais gordas, o céu mais escuro…

Na verdade, vemos no filme a interpretação do realizador do livro que ambos lemos…. Muitas vezes, nem os actores conseguem dar forma à leitura do realizador e, ´é por isso que

os filmes são sempre piores que os livros que lhe deram origem!

Foi com este espírito que meti o DVD que me emprestaram do filme “O leitor”, ontem, na ranhura do aparelho, depois de ter acabado de ler o livro, com o mesmo nome, há poucos dias…

Deixei o filme começar e vim trabalhar… Fui espreitando… Uma cena aqui, outra ali… sem nunca parar de fazer o que devia fazer ontem!

Acabo de repetir o gesto…

Acabo de  meter o DVD na ranhura do aparelho outra vez…

Sento-me e escrevo estes breves pensamentos, simplesmente porque quero ter a certeza que o que digo é verdade…

Quero ter a certeza que os filmes são sempre piores que os livros…

porque ontem, devido ao meu preconceito, não fiquei com certezas acerca disso!

Por momentos pensei que por vezes, embora raras, os filmes possam  ser,  pelo menos,  tão bons como os livros…

E agora… desculpem-me, por favor…

Tenho um filme para ver com mais atenção que ontem, até porque, o livro, nem tinha imagens  da Kate Winslet!

Até amanhã!

Los abrazos rotos

abrazosFui ontem ver  estes abraço rotos ou desfeitos. Mais um filme forte de  Pedro Almodóvar. Um homem (ou dois) conta(m) uma história. Uma história de amor, a sua história. Um dos dois homens, que coabitavam o mesmo corpo, morre, num acidente na ilha de Lanzarote, minutos depois de um último abraço (ou beijo) à paixão da sua vida. O outro continua a viver na escuridão e a escrever guiões para filmes. Ocasionalmente vive aventuras com quem o ajuda a atravessar a rua…Um jogo perigoso que apenas quem, como ele, já sofreu bastante se arrisca a continuar a jogar.

Ao longo do filme, um jovem e uma mulher (Judit!) acompanham-no. É ao Jovem que ele conta a história e é Judit que conta aos dois o último dos capítulos que ele desconhecia ainda.

Penélope Cruz é Lena, o amor da vida dos dois homens (e ainda de um terceiro). É a mulher que morre em Lanzarote num acidente de automóvel…

Pelo meio muito bom humor, com piadas mais ou menos directas como quando o cego responde a um jovem que lhe diz:

- “Voltaremos a ver-nos”
- “No meu caso seria um autêntico milagre”

ou quando, quase no fim do filme,  Judit pede um gin tónico e abandona o balcão sem dar tempo de juntar a água tónica à bebida… Outro momento de gargalhadas acontece quando o protagonista e o seu jovem ajudante dão largas à imaginação e resumem um argumento de filme de vampiros!

Bom, se gostam de Almodóvar, não percam! Se não gostam vejam também… quem sabe se passam a gostar!

Para mim, não iguala  “Fala com ela” mas anda lá perto e é sempre bom rever as actrizes de “Volver” encarnar novas personagens!

Sacanas sem lei

Sacanas Sem Lei Inglourious BasterdsNão posso dizer que sou um fã incondicional de Quenti Tarantino. Não consegui encontrar muita piada à Série Kill Bill. Deve ter uma qualquer mensagem escondida que não consegui encontrar!

Pulp Fiction, achei simplesmente genial. Muita violência, mas, na minha opinião, justificada. O que me tocou no filme foi precisamente essa onda crescente de violência… Quando pensamos que estamos perante os tipos mais maus, mais impiedosos, Tarantino encarrega-se de nos mostrar que pode ainda piorar. Normalmente quem mais seguro está, mais calmo se mostra. Adoro a cena do assalto ao café.  O jovem casal pensava ter tudo controlado, por ter as armas na mão e, no entanto…

Também gostei muito destes Sacanas sem lei! Violento, quanto baste, mas personagens muito bem caracterizadas.

Mais uma vez quem detém o poder mantém a calma… Conversa devagar, em várias línguas, aparentando sempre muito respeito pelos interlocutores. No entanto, cheio de cinismo.

A vida é mesmo assim, quando nos lixam (com “F” maiúsculo) não fazem muito barulho!

Um grande filme de Tarantino que aconselho a todos os que não se importarem de ver um pouco de sangue! E já sabem… Desconfiem sempre das falinhas mansas!

Nunca é tarde demais para amar

nunca_e_tardeNunca é tarde para amar, diz o Lopes“.

Lembro-me desta frase, de a dizermos no tempo do liceu. O Lopes era um colega e já não tenho a certeza se algum dia o disse realmente. A verdade é que se tornou uma espécie de brincadeira e, por tudo e por nada, lá vinha a sentença do Lopes!

Foi esta coincidência que primeiro me chamou a atenção quando vi o título do filme, seguindo uma ligação da CristinaGS. Depois vieram outros factores: ser um filme europeu (e sobretudo alemão  – confesso que não tenho visto muitos) e ter sido distinguido em Cannes.

O tema também foi determinante para que me metesse no comboio, neste dia de Agosto, e o fosse ver ao King – suponho que o único cinema onde é exibido em Portugal.

Se a infidelidade e o modo como é vivida já foi tratado imensas vezes no cinema (lembro-me d’ “As pontes de Madison”, por exemplo) o amor na terceira idade não tem sido muito explorado. Juntar os dois só poderia resultar num filme notável.

Poderá uma mulher de 65 anos apaixonar-se por um homem de 76, pondo em risco uma união de 30 anos? De acordo com os argumentistas do filme, pode.

Poderá esse amor ser filmado de forma inteligente, sem falsos pudores, mostrando o nu e as cenas de sexo mas também os momentos de ternura? Depois de o ver, a minha opinião é que sim, pode e foi feito.

O que fazer depois de ter acontecido o inevitável (opinião minha, claro) esconder para sempre, seguindo os conselhos da filha? Enfrentar as consequências e contar, sabendo o sofrimento que poderá provocar?

Um filme intenso que fui ver, numa sessão das 13:45, na companhia de 6 senhoras de idade avançada, que certamente se sentiram  atraídas pelo título. Quantas delas seriam capazes de viver um amor como aquele? Quantas delas estariam dispostas a pagar o preço desse amor?

“Não tive culpa, aconteceu…”

O amor é mesmo uma coisa estranha!

Se puderem vejam… Mais pela qualidade das interpretações e argumento que pela beleza dos protagonistas :-)

Trailer

Finalmente as férias…

… e a possibilidade de ver uns filmes que estavam em lista de espera…
Entre eles Maradona, filmado por Emir Kusturica.

Tento vê-lo agora e fico com pele de galinha…
Tinha a certeza que este trecho estaria no youtube…

Não compreendo bem a letra, mas arrepio-me sem saber exactamente porquê!
Depois de tudo pelo que passou, no ecrã está um homem de força… um icon!

Antes falou do tempo escuro…
Do que significa ver a filha crescer em vídeos sem se recordar de ter passado esses momentos com ela.

Brinca com a mulher – uma loira que aparece no vídeo – focam-na e nos seus olhos vejo amor…
Deve ser difícil amar Maradona, penso…
Vejo nos seus olhos que esteve sempre a seu lado e que talvez, esteja feliz agora que o tem de volta…
Agora deve estar muito mais disponível, com menos fama, menos dinheiro, agora que Ronaldos e outros tomam o seu lugar, no entanto ele parece estar de volta à sua Argentina…

De vez em quando Kusturica também no ecrã…
Para mim estão duas lendas no mesmo filme.

Não tenho legendas mas compreendo um pouco do castelhano e inglês que falam…

Fiquem com um pouco do que estou a ver…


Tim Burton’s Alice in Wonderland



Acho que o puto vai querer ver isto :)

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