Category: cinema

Também a chuva

Filmado em 2010, na Bolívia, conta-nos a história de uma equipa de realização que escolhe uma cidade boliviana (Cochabamba) para filmar a chegada de Cristóvão Colombo à América. A razão da escolha prende-se também com a mão de obra barata que podem encontrar no local. Ao longo do filme as personagens e a história vão-se misturando e revelando, à medida que tudo se complica com a chamada “guerra da água” que teve como palco principal essa cidade boliviana, em 2000. Aqueles que mais parecem querer poupar estarão dispostos a gastar, aqueles que parecem encarnar a coragem das personagens que representam duplamente acabam por se revelar cobardes enquanto que os cobardes mostram não o ser.

As palavras são dadas e mantidas umas vezes e outras vezes não, porque nem sempre temos as mesmas prioridades e isso pode fazer toda a diferença!

Uma fotografia fantástica, personagens ricas e bem construídas, diálogos intenso….

Várias cenas  fazem deste filme um filme excepcional. Destaco uma onde o realizador do filme, que filmam dentro do filme, tenta explicar às figurantes como vão fazer parecer real a simulação do afogamento dos seus filhos de colo, num rio. A operação é completamente segura, só molharão os bebés até à cintura sendo depois substituídos por bonecos. No entanto as mães recusam filmar uma das cenas que, segundo o director, põe toda a obra em causa por corresponder a um acto de desespero que realmente aconteceu… É então que o interprete, que acaba de conversar com as mães, lhe explica: “Sebastian, há coisas mais importantes que o teu filme!”

Daniel perceberá isso mas penso que também nós esquecemos,  vezes demais,  tão embrenhados que andamos com os nossos “pequenos” projectos, no nosso pequeno mundo, rodeados das nossas abundâncias e pequenos mimos. Muitas vezes não percebemos os actos mais simples, mas dignos!

Um filme que nos faz reflectir,  onde as personagens acabam por aprender, e também nós, que há vida para além de um filme.

Obrigado Clo pela sugestão. Tu sabias que eu gostaria e isso também me deixa contente, gosto de saber que quem me conhece desde que nasci sabe do que realmente gosto!

Partilho a sugestão com todos os que por aqui passam e preferem os filmes que nos chegam da vizinha Espanha, da América latina ou de França a algumas das produções com muitos tiros bem ao estilo de Hollywood!

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Publicado em: 13 de August de 2011

The promise

Há muito que me habituei a ouvir falar do conflito israelo-palestino nos noticiários. Como em todas as guerras é difícil perceber de que lado está a razão, quem são os culpados, quem são os inocentes e se os há! Sabemos apenas que  por aquelas bandas há gente a sofrer. Entre essa pessoas estão crianças e mulheres, porque as guerras não afetam apenas soldados.

A melhor amiga de uma jovem inglesa é uma israelita que estuda com ela em Inglaterra. Quando a amiga ingressa no exército   resolve acompanhá-la para a apoiar e ficar a viver um ano em sua casa. Leva com ela o diário do avô que se encontra doente no hospital. Ao ler o diário vai descobrindo o passado do avô que tinha visto poucas vezes na vida. Vai descobrir os anos em que serviu no exercito britânico, depois da segunda guerra mundial, e como esteve envolvido em todo o processo que resultaria na criação do estado de Israel.

Por lá conhecerá gente de ambos os lados da barricada  e, sobretudo, cumprirá a promessa que o avó tinha feito 60 anos antes. Não será a mesma pessoa quando regressar a Inglaterra, mas quem fica o mesmo depois de uma grande viagem?

Uma série, muito boa, em quatro episódios, produzida pelo Chanel 4, que passa na Arte e eu descobri um pouco por acaso ao visitar a minha irmã Clorinda, que teima em ver canais esquisito!

Obrigado mana, até por isto, tenho que te visitar mais vezes!

Trailer

 

PS. Se gostam do registo de novela, onde um/a pobre casa invariavelmente com um/a rico/a, não vejam… Esta série vai um pouco além disso! Seria bom que o nosso canal 4 também se arriscasse um pouco neste estilo que nos deixa a pensar até porque das outras (de 200 episódios sempre do mesmo) algum dia ficaremos todos fartos!

Titanic

Vi o filme em 1997, quando esteve nos cinemas pela primeira vez,  e sempre achei que a reposição  em versão 3D seria apenas uma grande golpada para, aproveitando o centenário do naufrágio, fazer dinheiro fácil.

Contudo, em 1997 a Inês não era ainda nascida.  O André, esse, disse durante alguns anos ser o Titanic o seu filme favorito. Quando há pouco tempo falamos disso, não negou, mas disse, com um sorriso envergonhado, que esse tinha sido o filme favorito de todos os miúdos da sua idade… Talvez tenha razão, e isso só aumentava a pertinência de o revermos os três!

Aconteceu hoje, esta tarde, embora não na sua versão 3D. Optamos pela versão de 97, em DVD, porque a crise não está para tantas dimensões!

Julgo que já toda a gente tenha visto o filme, pelo menos uma vez, em duas ou em três dimensões. Pelo que me toca, voltei a gostar. Não é só a história de um barco. Cameron soube juntar na sua  história a história de  pessoas e ainda a história de um amor. Um amor  daqueles com que todos sonhamos e que, por vezes, pensamos só existirem no cinema!

Quando gelavam na água, e a morte estava certa, o rapaz diz para a rapariga que foi uma sorte ter ganho aquela viagem num jogo de poker! Pouco antes dessa cena, eu pensava para comigo exactamente o contrário. Morria por ter ganho um jogo de poker.

No entanto, penso que ele tinha razão. Cameron conseguiu filmar, além da história de um barco, a história de um amor e todos os românticos compreenderão que passar pela vida sem viver, pelo menos, uma vez um amor desses é muito pior que a morte. É quase o como se nunca tivéssemos  nascido!

Vejam ou revejam… em duas ou em três dimensões!

Amigos Improváveis

O humor francês é um humor especial!

Não é tão refinado como o inglês, nem tão fácil como o americano. Quem viu algum dos “Taxi” ou “Bem – Vindo ao Norte” sabe do que falo. É este humor que encontramos também nos “Amigos improváveis” embora encontremos muito mais que isso.

Baseado numa história real, o filme conta a amizade entre dois homens que à partida pouco parecem ter em comum.

Philippe, um aristocrata muito rico, está farto do politicamente correto, está farto da vida monótona num corpo tetraplégico. Driss acabou de sair da cadeia e é um jovem habituado a desenrascar-se. Juntos vão descobrir-se ao longo do filme e vão ganhando uma cumplicidade que parece pouco provável em amigos improváveis!

Um filme a ver, certamente, ainda que, na minha opinião, a escolha de um ator muito mais escuro que o homem que representa pudesse ter sido evitada!

Trailer

Sobre a história verdadeira: Parte 1; Parte 2; Parte 3

 

Começar a manhã a dançar


Bom dia…

Vídeo encontrado esta manhã no Facebook

Parece que as redes sociais servem para alguma coisa!

Obrigado Marta.

Publicado em: 16 de July de 2009

Malèna

Malèna é uma mulher bonita. Bonita demais, talvez.  Todos olham para ela quando passa, todos a seguem com o olhar.

Maléna será a primeira grande paixão de Renato, um jovem de 12 anos que vive numa pequena  povoação italiana para onde Malèna se mudou, com o pai, quando casou com um major que partiu para a guerra.

O filme desenrola-se durante a segunda guerra mundial. Anos difíceis para toda a gente da pequena aldeia e também, ou sobretudo, para uma mulher bonita que acaba por se ver sozinha. Renato tenta protegê-la, Maléna tenta sobreviver.

Para mim, um dos momentos altos do filme é a  leitura da carta anónima que Renato escreve ao marido de Maléna, que reaparece no final. Não é fácil ser mulher bonita em tempos difíceis, desejada por muitos, invejada por outras tantas. No entanto, Renato compreende-a, talvez melhor que muitos de nós compreendemos as Malénas com que nos cruzamos hoje.

Um filme de Giuseppe Tornatore,  de 2000, que só vi a semana passada.

Um filme cheio de beleza, muita dela personalizada na Monica Bellucci.

Um filme a ver,  para nos fazer pensar para além da beleza mais evidente!

Trailer

O menino de Cabul

Li o livro há três anos. Sei que foi exactamente há três anos porque  escrevi  um post , quando estava quase a acabar, no dia 8 de Fevereiro de 2009.

Vi o filme esta tarde. Não vou falar da história, já falei aqui… Do filme apenas dizer que há três anos que o queria ver e que não me desiludiu, antes pelo contrário.

Se puderem vejam, não darão o tempo por perdido. Se ainda não leram, podem também ler o livro… antes ou depois!

Num mundo melhor

Num mundo melhor talvez tivesse tempo para ver mais filmes.

Este foi recomendado pela minha irmã Clo e, mais uma vez, acertou com um filme que me “enche as medidas”.

Confesso que não tenho visto muito cinema dinamarquês, mas a julgar por este acho que é só por ter andado distraído!

O filme, de Susanne Bier, fala-nos, sobretudo, de coragem.

Um filme educativo, daqueles que todos os miúdos deveriam ver quando fizessem 16 anos.

Personagens fortes e corajosas, mesmo que a coragem nem sempre se possa avaliar pela altura do indivíduo ou até pelos gritos que consegue grunhir…

Um filme que também nos fala de bullying e de ratos que escondem autênticos leões!

Se puder ver, não perca… Não dará o tempo por perdido!

Os Miseráveis…

Tenho um sofá para dois onde, por vezes, nos sentamos três. Foi assim este fim-de-semana.

Já me habituei a que fosse ele a trazer um filme para vermos. Sábado  trazia “Les Misérables”, numa das suas muitas adaptações para cinema. Esta era a de 1998, com   Liam Neeson, Geoffrey Rush e Uma Thurman como protagonistas. Ele tinha visto a série de 2000, com  Gérard Depardieu e John Malkovich e sabia já a história.

Gosta de ler Vitor Hugo, pelo menos quando é obrigado a ler qualquer coisa, e por isso o interesse por esta obra. Mas penso que já gosta de ler, ele que, ainda há bem pouco tempo, dizia não gostar.

Vimos os dois o filme, enquanto a Inês estudava,  e gostamos. Combinamos que me traria a série porque, dizia, estava bem melhor.

No domingo sentei-me no sofá de dois onde já estava a Inês a ver televisão. Propus que espreitássemos o primeiro episódio da série, que o André tinha trazido, para confirmarmos se Jean Valjean interpretado por  Depardieu era realmente melhor que interpretado por Liam Neeson. Embora já tivesse visto o André juntou-se a nós debaixo da manta, no sofá feito para dois mas onde, por vezes, cabem três.

Vimos todo o primeiro episódio. Fazia-se tarde, mas a Inês estava colada à história, queria saber o que se passaria a seguir porque não tinha visto o filme no dia anterior. Continuamos até meio do segundo episódio e confesso que, se tempo houvesse, teríamos ficado ainda um pouco mais.

É impressionante como uma história escrita há 150 anos continua actual e a agarrar gerações à volta das suas páginas ou das interpretações  que delas fizeram.

Obrigado puto, pela magnífica sugestão. Obrigado Inês por te sentares connosco e com tanto interesse num sofá para dois onde, por vezes, cabem três!

Quem sabe se um dia não vemos ainda, em Londres, o musical? Assim a crise o permita!

Ps. No entanto, em abono da verdade, tenho que dizer que preferi  aversão Uma Thurman  da  Fantine à versão  Charlotte Gainsbourg…

Correntes

Publicado em: 29 de March de 2009

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