Category: cinema

A Single Man

a-single-man-poster-1Não falei ainda por aqui deste filme mas não queria deixar de o fazer. Ouvi falar dele e do seu realizador, Tom Ford, na televisão e fiquei expectante. Tom Ford já mostrou o que valia no mundo da moda, consagrando-se como um dos mais conceituados estilistas dos Estados-Unidos da América e ajudando a recuperar a Gucci. Isso seria, pelo menos, bastante para acreditar que os actores estariam bem vestidos nesta sua primeira incursão no mundo do cinema, realizando uma história escrita por si… Na verdade… estavam!

Destaco também o bom gosto da  banda sonora de que deixo um cheirinho aqui mais abaixo…

Não sabia, quando vi o filme este fim-de-semana, mas descobri agora que Tom Ford namora e vive com um homem (Richard Buckley) há duas décadas. Não admira pois que retrate o amor também utilizando um homem singular e homossexual.  Não é, no entanto, na minha opinião, um filme sobre homossexualidade! Os protagonistas são homens (e uma mulher bem gira também) como poderiam ser homens e mulheres ou apenas mulheres. O filme é muito mais que isso. Fala essencialmente do amor, da perda, do luto e de sentimentos, e  esse não escolhem género!

Numa das cenas  iniciais vemos um homem morto ao lado de uma carro acidentado num cenário com neve. Outro homem acerca-se e deita-se ao seu lado fazendo-me lembrar a cena final de “O Corcunda de Notre Dame” (de 1956), que vi há muito tempo na TV, onde Quasimodo, interpretado por Anthony Quinn, se deita ao lado do corpo da bela Esmeralda para adormecer e morrer a seu lado.

Será essa a ideia que acompanha todo o filme, que dura um dia na vida do protagonista. Depois de perder alguém que amou, e com quem partilhou parte da vida, tudo se desmorona e nem as três novas oportunidades de relações, que ao longo do dia e do filme se lhe proporcionam, parecem conseguir demovê-lo.

Uma nota final para a arquitectura, onde também notamos o bom gosto de Tom Ford. Um filme a não perder porque mais que falar de homossexualidade fala de  amor, ser entre homens é apenas um pormenor!

Publicado em: 24 de February de 2010

Mulheres fortes…

Ontem voltei a arrastá-lo(*) até ao cinema para vermos um filme de um dos meus realizadores de eleição. Há dias tínhamos também ido ver Austrália (O filme, não o continente).

No decorrer de ambos os filmes, não pude deixar de pensar que, sendo de estilos completamente diferentes, o tema era o mesmo: Mulheres fortes.

Em ambos, uma  mulher – bonita ou não estivéssemos nós no cinema – mostra exemplos de coragem e determinação.

Gostei de ver a Angelina Jolie neste papel. Vestida à época, e com uns lábios pintados de um vermelho que nem sei descrever, interpreta uma mãe solteira que luta, contra tudo e todos, para encontrar o filho desaparecido.

Baseado em factos verídicos, a história do filme começa em 1928,  ano em que, aqui deste lado do Atlântico, numa pequena aldeia de Trás-os-Montes, nascia o meu pai.

Também gostei de ver a interpretação de Nicole Kidman, em Austrália. Gosto de ver mulheres fortes, mesmo que seja no grande ecrã. Felizmente também conheço, e admiro, algumas que enfrentam tudo e todos, lutam e dão invariavelmente a volta por cima, nos nossos dias!

Em ambos os filmes, havia também homens fracos. Homens que, para esquecer que o eram, tentavam iludir-se e fingir que tinham poder, ou que eram mais fortes que alguém, mesmo que esse alguém fosse apenas uma criança. Havia também, nos dois, crianças fortes. Crianças que se viam obrigadas a crescer depressa demais e que, por isso, eram fortes bem antes do que seria de esperar.

No entanto, hoje não quero falar dos homens fracos! Nem de crianças e homens fortes, porque também havia alguns nos dois filmes.

É às mulheres fortes que quero dedicar estas linhas!

A todas as mulheres que passam neste momento, ou já passaram nas suas vidas, por situações complicadas e que, como no filme, nunca baixaram as armas, nem os olhos, e, com sorrisos nos lábios, mais ou menos carnudos e mais ou menos encarnados que os da Angelina, enfrentaram tudo e todos!

(*) Refiro-me ao A., o meu filho de 14 anos, que nem sempre faria as mesmas escolhas que eu, no que a cinema diz respeito, mas se deixa corromper por um balde de pipocas e um litro de coca-cola! Normalmente, e penso que ontem não foi excepção, não se arrepende e acaba por gostar do filme!

Publicado em: 18 de January de 2009

O escritor fantasma

Fui ver e gostei. Gostei da fotografia e de como o mestre Polanski conta mais esta história.

Um homem é pago para escrever a biografia de um ex-primeiro ministro inglês (qualquer semelhança com o Tony Blair é pura coincidência… ou talvez não!). Na verdade vem substituir outro homem que começou o trabalho mas morreu entretanto em circunstâncias estranhas.   Aos poucos, vai compreendendo as pistas que o seu antecessor deixou, à mediada que ocupa os seus espaços, que utiliza os seus objectos. Além de escritor veste então a pele de detective desajeitado, que põe todas  as cartas em cima da mesa, não escondendo o jogo de ninguém. Já ouvi fazer essa crítica ao filme… Mas, não seremos todos um pouco assim? Quando descobrimos algo de realmente importante, nós que não somos policias,  temos duas hipótese: (1) ou não contamos a ninguém, fingimos que não sabemos, e  vivemos o resto da vida cheios de medo ou (2) como ele não conseguimos ficar com a descoberta só para nós, contamos e….

Ora! Vejam o filme!

Porque há gatos de várias cores

Pulp Fiction – Dancing Scene – Uma Thurman & John Travolta

Invictus

invictusPode o desporto unir uma nação?

Se na África do Sul foram dados passos nesse sentido graças ao rugby  temos que acreditar que sim…

Vale a pena ir ver este “Invictus” de Cleant Eastwood com  Morgan Freeman a representar  Nelson Mandela.

Vale a pena ver como um homem consegue perdoar a quem o fechou numa cela minúscula durante 30 anos.

Vale a pena ver como se pode ser líder perdoando e não oprimindo.

Vale a pena ver como por vezes temos que arriscar e confiar em quem nos rodeia, mesmo que isso possa pôr a nossa vida em perigo.

Vale a pena levar os mais novos para que captem algumas das mensagens…

Vale a pena ver por mais uma série de razões que vou omitir…

Vejam, não será o melhor do realizador… mas, mesmo assim, não nos desilude!

Publicado em: 31 de January de 2010

Fale com ela…

Être et avoir

afficheNão sei se já viram este filme de 2002. Numa zona rural de França, um realizador acompanhou as aulas de um professor durante um ano lectivo. O resultado é um filme, ou espécie de documentário, sobre a vida deste professor e dos seus alunos. Enquanto pai não me teria importado que os meus filhos tivessem uma experiência como a dos verdadeiros alunos deste filme. É certo que numa mesma sala coabitavam alunos de vários anos de escolaridade: “les petit et les grand”. Mas, quem vir o filme perceberá como o professor tem tempo para todos… Claro que tanto uns como outros teriam direito a estar numa turma de 20 ou 21 alunos onde todos aprendessem o mesmo ao mesmo tempo, embora duvide que o fizessem ao mesmo ritmo.

Quem vir o filme notará que os alunos são transportados numa carrinha para a escola. Não sei qual a distância que percorrem, quanto tempo demora essa viagem, nem se, andando mais um pouco, poderiam juntá-los numa escola maior, com mais professore e mais alunos… Num verdadeiro Centro Escolar.

Fiz os meus primeiros quatro anos de escolaridade numa pequena escola que já fechou há muito. Havia 4 filas de alunos, uma por cada ano, e uma única professora. Metade dos alunos vinham de uma aldeia vizinha que dista 2 ou 3 km da minha. Vinham a pé, atravessando um souto.

Não defendo uma pequena escola em cada pequena aldeia. No entanto, penso que se não houver  algum cuidado na hora de fechar as pequenas escolas, as que hoje os recebem por serem grandes ficarão também cada vez mais pequenas e talvez nem nessas um dia possa ser filmado em Portugal uma versão nossa do “Ser e ter”.

Partir

o5unmwPartir. A palavra escreve-se da mesma forma e significa o mesmo em francês e em português, julgo que também em castelhano.

Partir é  o título de um filme de Catherine Corsini, uma realizadora que não conhecia.

O filme conta  seis meses da vida de uma mulher casada, com um homem rico e poderoso,  que conhece um homem  sem nada.  Durante boa parte desses seis meses  tenta partir.

Não sabe, no entanto, que faz parte do património do marido e que, por isso, não tem o direito de o fazer.

Um filme intenso, que conta a história de uma mulher de coragem, como tantas outras.

Um filme que começa e acaba com um tiro de carabina. O mesmo tiro.

Mademoiselle Chambon

mademoiselle-chambon Mademoiselle Chambon é a professora do filho de Jean e toca violino.

Jean trabalha na construção, é maçon.

Ambos levam uma vida simples e pacata. Ela troca todos os anos de escola. Ele faz casas e trata do pai e do filho.

Um dia é ele que vai buscar o filho à escola e as suas vidas começam a deixar de ser tão simples.

Como na vida, as mudanças dão-se lentamente, quase imperceptíveis…

Um filme cheio de pequenos encantos, onde a história é contada ao som de uma magnífica banda sonora.

Um violinista no telhado – If I were a rich man

Teach me to dance…

Dois homens a dançar. É assim que acaba  ”Zorba, o grego“.

Filmado em 1964,  este filme não envelhece. Nem mesmo o preto e branco lhe tirará a actualidade enquanto não perdermos a capacidade de sonhar.

Um homem perdeu tudo, menos a vontade de aprender a dançar…

Um Anthony Quinn no seu melhor, neste papel de Zorba, o grego…

Um filme que vi porque a minha irmã Clo me mostrou um dia esta cena… Quis saber porque dançavam estes dois homens, de onde vinha tanta alegria… Um filme com mais de 40 anos que continuo a recomendar porque, como um bom vinho, há coisas que não envelhecem… ou que ficam ainda melhores com a idade (neste caso talvez com a nossa!).

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