Category: cinema

Um violinista no telhado – If I were a rich man

Teach me to dance…

Dois homens a dançar. É assim que acaba  ”Zorba, o grego“.

Filmado em 1964,  este filme não envelhece. Nem mesmo o preto e branco lhe tirará a actualidade enquanto não perdermos a capacidade de sonhar.

Um homem perdeu tudo, menos a vontade de aprender a dançar…

Um Anthony Quinn no seu melhor, neste papel de Zorba, o grego…

Um filme que vi porque a minha irmã Clo me mostrou um dia esta cena… Quis saber porque dançavam estes dois homens, de onde vinha tanta alegria… Um filme com mais de 40 anos que continuo a recomendar porque, como um bom vinho, há coisas que não envelhecem… ou que ficam ainda melhores com a idade (neste caso talvez com a nossa!).

Tetro

tetroVi esta noite Tetro. Estranhei, logo no início, o nome de Francis Ford Coppola aparecer ofuscado pelos faróis de um autocarro. Depois percebi… Percebi a importância da luz neste filme maioritariamente a preto e branco. Percebi que os focos de luz aparecem ofuscando e realçando, como se de um jogo se tratasse, em mais cenas ao longo de todo o filme.

Um filme intenso, sobre as relações familiares.

Um filme sobre poder, um poder que, infelizmente, até se exerce das formas mais perversas nas relações de pai filho.

Se não viu ainda, recomendo!

A Single Man

a-single-man-poster-1Não falei ainda por aqui deste filme mas não queria deixar de o fazer. Ouvi falar dele e do seu realizador, Tom Ford, na televisão e fiquei expectante. Tom Ford já mostrou o que valia no mundo da moda, consagrando-se como um dos mais conceituados estilistas dos Estados-Unidos da América e ajudando a recuperar a Gucci. Isso seria, pelo menos, bastante para acreditar que os actores estariam bem vestidos nesta sua primeira incursão no mundo do cinema, realizando uma história escrita por si… Na verdade… estavam!

Destaco também o bom gosto da  banda sonora de que deixo um cheirinho aqui mais abaixo…

Não sabia, quando vi o filme este fim-de-semana, mas descobri agora que Tom Ford namora e vive com um homem (Richard Buckley) há duas décadas. Não admira pois que retrate o amor também utilizando um homem singular e homossexual.  Não é, no entanto, na minha opinião, um filme sobre homossexualidade! Os protagonistas são homens (e uma mulher bem gira também) como poderiam ser homens e mulheres ou apenas mulheres. O filme é muito mais que isso. Fala essencialmente do amor, da perda, do luto e de sentimentos, e  esse não escolhem género!

Numa das cenas  iniciais vemos um homem morto ao lado de uma carro acidentado num cenário com neve. Outro homem acerca-se e deita-se ao seu lado fazendo-me lembrar a cena final de “O Corcunda de Notre Dame” (de 1956), que vi há muito tempo na TV, onde Quasimodo, interpretado por Anthony Quinn, se deita ao lado do corpo da bela Esmeralda para adormecer e morrer a seu lado.

Será essa a ideia que acompanha todo o filme, que dura um dia na vida do protagonista. Depois de perder alguém que amou, e com quem partilhou parte da vida, tudo se desmorona e nem as três novas oportunidades de relações, que ao longo do dia e do filme se lhe proporcionam, parecem conseguir demovê-lo.

Uma nota final para a arquitectura, onde também notamos o bom gosto de Tom Ford. Um filme a não perder porque mais que falar de homossexualidade fala de  amor, ser entre homens é apenas um pormenor!

Invictus

invictusPode o desporto unir uma nação?

Se na África do Sul foram dados passos nesse sentido graças ao rugby  temos que acreditar que sim…

Vale a pena ir ver este “Invictus” de Cleant Eastwood com  Morgan Freeman a representar  Nelson Mandela.

Vale a pena ver como um homem consegue perdoar a quem o fechou numa cela minúscula durante 30 anos.

Vale a pena ver como se pode ser líder perdoando e não oprimindo.

Vale a pena ver como por vezes temos que arriscar e confiar em quem nos rodeia, mesmo que isso possa pôr a nossa vida em perigo.

Vale a pena levar os mais novos para que captem algumas das mensagens…

Vale a pena ver por mais uma série de razões que vou omitir…

Vejam, não será o melhor do realizador… mas, mesmo assim, não nos desilude!

Avatar

avatarVi finalmente o Avatar, e gostei.

Não vale a pena escrever muito, já tudo foi dito sobre o filme e aqui ninguém lê!

No entanto, se  não viu ainda, vá ver…

A indiferença…

Todos sabemos que há diferentes tipos de violência. Podemos achar os filmes de Quentin Tarantino violentos e  com muita razão.Ninguém me diga que não há violência em  Kill Bill, Sacanas sem lei  ou  Pulp Fiction. Há, e muita… É, no entanto, violência diferente daquela que podemos ver em “O Pianista” de Roman Polanski… Neste, que me lembre, não vemos jorrar sangue, não vemos cortar cabeças nem tirar escalpes. No entanto, quando o vi pela primeira vez não fiquei menos incomodado que ao ver os filmes de Tarantino.

O que me incomodou em “O Pianista” foi o modo como foi filmada indiferença perante a morte e os mortos. No gueto ou no campo de concentração, os vivos conviviam com a morte como algo de inevitável. Um cadáver no chão já não incomodava, alguém prestes a morrer era apenas mais um… Acho que o que me chocou nesse filme foi a indiferença.

Polanski conseguiu filmar a indiferença, lembrar-nos que é inevitável que até a morte e os mortos se tornem invisíveis quando já vimos tudo, quando estamos preocupados com a nossa própria sobrevivência.

Foi esta indiferença perante a morte e os mortos que vi hoje nas imagens que chegaram de Haiti. Os mortos amontoam-se e as pessoas  passam por eles indiferentes. Enquanto isso eu como a minha lasanha, também indiferente.

No entanto, já Becaud dizia:

Ce qui détruit le monde c’est :
L’indifférence

(…)

L’indifférence
Elle te tue à petits coups

Os filmes da década…

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Quatro críticos de cinema fizeram uma lista dos filmes da década

Destaco pela positiva:

“Disponível para Amar” de Wong Kar-wai foi nomeado por dois deles! (Lindo!)
Clint Eastwood foi nomeado por todos (”Cartas de Iwo Jima” 3x e Grand Torino 1x)
Pedro Almodóvar aparece 2x (”A Má Educação” e “Fala com ela”)
Tarantino aparece 3x

Pela negativa

Nenhum destaque para Woody Allen :-(
Esqueceram os “Sacanas sem lei” do Tarantino.
Pedro Almodóvar aparece só 2x

E vocês, digam apenas um… qual foi o vosso filme da década?

Avatar vs Pocahontas

avatar_vs_pocahontasAinda não vi o Avatar, vou antes rever a Pocahontas.

Encontrado no facebook, no mural do Rui Lourenço.

Welcome

welcomeBilai, um jovem Iraquiano, de 17 anos, quer chegar a Inglaterra. Anda 4000 km, a pé, até Calais e é aí, a 32 km do seu objectivo,  que se desenrola a história deste filme francês, com nome inglês, realizado por Philippe Lioret .

Welcome é também a inscrição que se pode ler no tapete do vizinho de Simon, um professor de natação que resolve ajudar Bilai, pondo em risco a sua própria liberdade. Welcome é a inscrição no tapete do vizinho que o denuncia à polícia por deixar entrar refugiados em sua casa, onde não há tapete de boas vindas, e que o julga pela bitola dos seus preconceitos,.

Num mundo globalizado, onde os produtos passam fronteiras livremente, chegando às nossas mãos a preços quase impossíveis de acreditar, fazendo enriquecer cada vez menos gente e escravizar cada vez mais, os Homens ainda são bloqueados bem perto de nós. São impedidos de entrar em “ilhas” , mas também em supermercados. Negam-lhes um banho para depois os rejeitar porque cheiram mal.

Simon acaba por admirar a coragem do jovem Bilai, que sonha ser futebolista no Manchester. Tentará atravessar a mancha a nado porque não procura apenas liberdade mas também o amor. Embora não comece a ajudar pelos motivos mais nobres, ou de forma espontânea, Simon demonstrará ser um amigo à altura, um amigo capaz de arriscar por uma amizade, de dar o que tem de mais valioso.

Mais um filme surpreendente para quem não procura sempre um final feliz… Um filme que nos deixa a pensar na capacidade de luta de algumas pessoas e povos,  que nos faz pensar nas distâncias que julgamos longas, nas barreiras que julgamos intransponíveis… Um filme que, como tantos outros, poderia/deveria ser visto na escola num país onde ainda há bem poucas décadas também se passavam os Pirenéus “a salto”.

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