Desafio 3 (12) – Prisões

Confesso que este arame também a mim me faz lembrar prisões… Confesso que também eu  Não conheço  o Carlos mas sei que veio aqui parar vindo de um Novo Mundo e que tem um blogue chamado THE CAT SCATS

Obrigado pelo texto Carlos, volte sempre…
arame12_carlos

Prisões

Arames farpados lembram-me sempre prisões, reais ou imaginárias. As reais, porventura, já nem os utilizam, pois o nosso admirável mundo novo tem formas mais sofisticadas de nos prender; e as imaginárias, enfim, nunca são imaginárias, porque se nos sentimos presos, efectivamente, estamos presos. Mas os arames farpados, cedo ou tarde, enferrujam, e é nessa altura que, se ainda tivermos forças, nos libertamos. Libertamo-nos, sim, porque o homem não foi concebido para estar preso – afinal, não é pela liberdade, acima de todas as coisas, que temos lutado e caminhado desde o início dos tempos.

Carlos Azevedo (THE CAT SCATS)

Outros textos neste desafio…

Je ne sais pas, Joyce Jonathan

Anoitece…

ceu_igreja

Desafio 3 (12) – Uma luta incógnita

Responderam ao desafio pessoas que não conheço, pessoas que conheço graças ao blogue e também uma pessoa que conheci muitos anos antes de saber o que era um blogue… A Deep é minha conterrânea. Respirou (e respira muitas mais vezes que eu) o ar da nossa serra… As nossas aldeias distam talvez uns 3 km e estudamos juntos  em Bragança, em meados dos anos 80. Seguiu letras e por isso -e por talento natural, também certamente- escreve sempre uns textos que me fascinam…. É  uma honra para mim poder ter aqui uns bocadinhos do que ela escreve…

Um grande abraço, amiga…

arame13_luisa

Uma luta incógnita

Na ânsia de evitar a investida do canídeo de respeitável porte que, atiçado pelo odor do seu medo, se lançara em sôfrega cavalgada, corria desenfreada.
Cego de pânico, o seu corpo embateu, de súbito, numa vedação de arame farpado. Lançou-se, instintivamente, contra o solo ainda húmido e lamacento das últimas chuvas.
Apoiada nos cotovelos, fez deslizar o corpo sob o exíguo espaço que separava o arame do chão. Antes que conseguisse ficar a salvo, viu-se detida por uma farpa que, na sua agressividade pontiaguda, lhe abriu um rápido, mas incisivo, rasgão na manga da blusa, que se prolongou pelo braço, num profundo sulco, onde começavam a formar-se pequenas gotas de sangue. Alheia ao ardor que provinha da ferida aberta, debatia-se para libertar o pé direito do sapato que, entretanto, o cão abocanhara pela ponta.
Quis gritar por socorro, mas os sons não passavam de meros esboços mentais. A sufocar de pânico, conseguiu voltar-se.
Abriu os olhos. Pelas frestas das persianas começava a entrar o dia. A roupa de cama em desalinho denunciava uma luta incógnita em que, porventura se lançara, durante o sono.

Na ânsia de evitar a investida do canídeo de respeitável porte que, atiçado pelo odor do seu medo, se lançara em sôfrega cavalgada, corria desenfreada.

Cego de pânico, o seu corpo embateu, de súbito, numa vedação de arame farpado. Lançou-se, instintivamente, contra o solo ainda húmido e lamacento das últimas chuvas.

Apoiada nos cotovelos, fez deslizar o corpo sob o exíguo espaço que separava o arame do chão. Antes que conseguisse ficar a salvo, viu-se detida por uma farpa que, na sua agressividade pontiaguda, lhe abriu um rápido, mas incisivo, rasgão na manga da blusa, que se prolongou pelo braço, num profundo sulco, onde começavam a formar-se pequenas gotas de sangue. Alheia ao ardor que provinha da ferida aberta, debatia-se para libertar o pé direito do sapato que, entretanto, o cão abocanhara pela ponta.

Quis gritar por socorro, mas os sons não passavam de meros esboços mentais. A sufocar de pânico, conseguiu voltar-se.

Abriu os olhos. Pelas frestas das persianas começava a entrar o dia. A roupa de cama em desalinho denunciava uma luta incógnita em que, porventura se lançara, durante o sono.

Deep (Letras são papéis)

Outros textos neste desafio…

Fotos que gostava de ter tirado (64)

gqgdttPorque hoje foi dia de oferecer flores às senhoras…

Créditos: REUTERS/Marko Djurica

Aquela praia…

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Desafio 3 (11) – Borboletas

O texto de hoje foi escrito pelo Guilherme, mas enviado pela sua esposa, a Isabel.

Não conheço nenhum dos dois, nem me recordo de os “sentir” por aqui… No entanto,  como a Isabel, também eu gostei muito  desta história…

Fico muito  agradecido aos dois por me darem oportunidade  de a partilhar aqui.

Muito obrigado

arame11_guilherme

Borboletas

As borboletas nunca voltam… Elas passam por aqui esvoaçando, subindo e descendo, como nós o fazemos durante toda a vida. Tal como nós, as borboletas não voltam. Nunca mais voltam! Deixam por aí um rasto imperfeito, visões coloridas como muitos dos nossos sonhos… Fazem um percurso sem destino, saltitante, imperfeito – como nós fazemos sempre que sonhamos e também em cada dia das nossas vidas! Flutuam no ar das primaveras, como nós, e fenecem como flores frescas que chegaram ao fim do seu tempo… Não há mistério na suave e silenciosa passagem de uma borboleta perante os nossos olhos. Nem elas deixam atrás de si um rasto de memórias, ao contrário de nós, que o deixamos, às vezes indecifrável para os outros, outras vezes como uma herança abençoada, uma recordação que perdura nos corações dos que ficam. Mal é quando esse rasto se perde na memória daqueles que, por tradição, se deviam lembrar de que as suas vidas foram o fruto de tantos sacrifícios, como se da forçada libertação de um casulo se tratasse, que a partida é dolorosa… Borboletas, afinal, somos nós todos, num percurso semelhante, comum no pó que nos espera!

Guilherme, 2010

Outros textos neste desafio…

Um violinista no telhado – If I were a rich man

Olhar o céu…

candeeiro3

Desafio 3 (10) – Aventuras

A foto despertou na Luísa recordações de criança… Agora que vive na terra das vacas, usa um blogue para nos mostrar um pouco dos costumes de lá… Vacas parece que há mesmo muitas, a acreditar no que nos diz:  ”há as castanhas e as malhadas, há as de trabalho e as leiteiras, há a que ri e há a roxa da Milka, há as de quatro patas e as de duas...”

Não a conheço pessoalmente, mas gosto de passar pelo seu canto e sei que também passa por aqui, mesmo não lendo…

Um grande abraço, que ajude a derreter a neve que por aí deve haver!

arame10_luisa

Aventuras

De repente, lembrei-me de quando era criança.  De quando eu passava a vida a “escabriolar” em cima das árvores e dos muros. Havia um particularmente interessante. Não era alto, era largo para os meus pés pequenos e tinha arame farpado no meio. Eu subia para o muro e caminhava com uma perna de cada lado do arame farpado. Com uma coisa tão simples, sentia-me o Macgyver (o grande herói da infância, a seguir ao grande Marco Paulo). Até ao dia em que rasguei os calções… A minha mãe bem que olhava para eles, mas não percebia a diferença. Só percebeu no momento de os lavar. É que eles tinham uma dobra no fundo e eu, para esconder o rasgão, dei-lhe outra. Resultado: umas belas palmadas, não pelo rasgão, mas por andar em cima dos muros. E o resultado das palmadas? Uma temporada sem aventuras à Indiana Jones!

Luísa (Na terra das Vacas)

Outros textos neste desafio…

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