Desafio 3 (12) – Uma luta incógnita

Responderam ao desafio pessoas que não conheço, pessoas que conheço graças ao blogue e também uma pessoa que conheci muitos anos antes de saber o que era um blogue… A Deep é minha conterrânea. Respirou (e respira muitas mais vezes que eu) o ar da nossa serra… As nossas aldeias distam talvez uns 3 km e estudamos juntos  em Bragança, em meados dos anos 80. Seguiu letras e por isso -e por talento natural, também certamente- escreve sempre uns textos que me fascinam…. É  uma honra para mim poder ter aqui uns bocadinhos do que ela escreve…

Um grande abraço, amiga…

arame13_luisa

Uma luta incógnita

Na ânsia de evitar a investida do canídeo de respeitável porte que, atiçado pelo odor do seu medo, se lançara em sôfrega cavalgada, corria desenfreada.
Cego de pânico, o seu corpo embateu, de súbito, numa vedação de arame farpado. Lançou-se, instintivamente, contra o solo ainda húmido e lamacento das últimas chuvas.
Apoiada nos cotovelos, fez deslizar o corpo sob o exíguo espaço que separava o arame do chão. Antes que conseguisse ficar a salvo, viu-se detida por uma farpa que, na sua agressividade pontiaguda, lhe abriu um rápido, mas incisivo, rasgão na manga da blusa, que se prolongou pelo braço, num profundo sulco, onde começavam a formar-se pequenas gotas de sangue. Alheia ao ardor que provinha da ferida aberta, debatia-se para libertar o pé direito do sapato que, entretanto, o cão abocanhara pela ponta.
Quis gritar por socorro, mas os sons não passavam de meros esboços mentais. A sufocar de pânico, conseguiu voltar-se.
Abriu os olhos. Pelas frestas das persianas começava a entrar o dia. A roupa de cama em desalinho denunciava uma luta incógnita em que, porventura se lançara, durante o sono.

Na ânsia de evitar a investida do canídeo de respeitável porte que, atiçado pelo odor do seu medo, se lançara em sôfrega cavalgada, corria desenfreada.

Cego de pânico, o seu corpo embateu, de súbito, numa vedação de arame farpado. Lançou-se, instintivamente, contra o solo ainda húmido e lamacento das últimas chuvas.

Apoiada nos cotovelos, fez deslizar o corpo sob o exíguo espaço que separava o arame do chão. Antes que conseguisse ficar a salvo, viu-se detida por uma farpa que, na sua agressividade pontiaguda, lhe abriu um rápido, mas incisivo, rasgão na manga da blusa, que se prolongou pelo braço, num profundo sulco, onde começavam a formar-se pequenas gotas de sangue. Alheia ao ardor que provinha da ferida aberta, debatia-se para libertar o pé direito do sapato que, entretanto, o cão abocanhara pela ponta.

Quis gritar por socorro, mas os sons não passavam de meros esboços mentais. A sufocar de pânico, conseguiu voltar-se.

Abriu os olhos. Pelas frestas das persianas começava a entrar o dia. A roupa de cama em desalinho denunciava uma luta incógnita em que, porventura se lançara, durante o sono.

Deep (Letras são papéis)

Outros textos neste desafio…

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4 Comentários

  • By Elsa Marina, 9 de Março de 2010 @ 18:11

    A “minha” Deep é o máximo!!!!
    Parabéns a ela e à iniciativa.
    Até breve
    Elsa

  • By deep, 9 de Março de 2010 @ 19:24

    Obrigada João… pelos desafios e pelas palavras simpáticas que tens sempre para nós! Um beijinho, transmontano “d’um raio”!

    “Nina” Elsa, obrigada por leres… e pela amizade (de tão longos anos!). Um beijinho para ti também!

    João, uma pequena curiosidade: conheci a Elsa precisamente um ano depois de te ter conhecido, mas na Invicta!

  • By Luísa, 10 de Março de 2010 @ 1:24

    Gostei muito, mesmo!! O alívio que senti quando ela abre os olhos e vê as persianas… até expirei o ar com mais força. Eu gosto de sentir o que os personagens sentem, de me sentir quase a personagem, mas sem (querer) ser protagonista de nada. Há já um tempo que não ‘sentia as sensações’ das personagens.

    Obrigada, Deep, por escrever e obrigada, João, por publicar!

  • By Fai O'Stos, 11 de Fevereiro de 2011 @ 21:08

    Blogue que ninguém lê…

    Muito prazer!
    A partir de hoje meu nome é ninguém!

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