A indiferença…

Todos sabemos que há diferentes tipos de violência. Podemos achar os filmes de Quentin Tarantino violentos e  com muita razão.Ninguém me diga que não há violência em  Kill Bill, Sacanas sem lei  ou  Pulp Fiction. Há, e muita… É, no entanto, violência diferente daquela que podemos ver em “O Pianista” de Roman Polanski… Neste, que me lembre, não vemos jorrar sangue, não vemos cortar cabeças nem tirar escalpes. No entanto, quando o vi pela primeira vez não fiquei menos incomodado que ao ver os filmes de Tarantino.

O que me incomodou em “O Pianista” foi o modo como foi filmada indiferença perante a morte e os mortos. No gueto ou no campo de concentração, os vivos conviviam com a morte como algo de inevitável. Um cadáver no chão já não incomodava, alguém prestes a morrer era apenas mais um… Acho que o que me chocou nesse filme foi a indiferença.

Polanski conseguiu filmar a indiferença, lembrar-nos que é inevitável que até a morte e os mortos se tornem invisíveis quando já vimos tudo, quando estamos preocupados com a nossa própria sobrevivência.

Foi esta indiferença perante a morte e os mortos que vi hoje nas imagens que chegaram de Haiti. Os mortos amontoam-se e as pessoas  passam por eles indiferentes. Enquanto isso eu como a minha lasanha, também indiferente.

No entanto, já Becaud dizia:

Ce qui détruit le monde c’est :
L’indifférence

(…)

L’indifférence
Elle te tue à petits coups

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