A vida em surdina
Dizem que não há amor como o primeiro e talvez tenham razão.
A verdade é que tenho gostado de cada livro que leio do David Lodge mas… mas de nenhum como do primeiro!
O primeiro livro que li, deste autor britânico, foi “Notícias do Paraíso”.
Penso que nem seja o mais conhecido, mas tocou-me pela simplicidade da escrita associada à exposição de sentimentos profundos e complicados com uma pitada de humor. Tocou-me porque nele um homem da minha idade renasce para a vida… Foi uma das manas que o emprestou mas ainda o compro um dia para o reler e ter o prazer de o ter na minha estante.
Esta pequena reflexão serve apenas para me convencer a mim próprio… Será antes “não há amor como o último”?
O último acabei de o ler ontem.
“A vida em surdina” tem tudo o que esperaria do autor. Conta-nos uns meses na vida de um professor universitário que se reformou antecipadamente e que agora sente falta do frenesim da vida académica. Faz do professor o narrador da história e é este que nos vai contando as suas aventuras e desventuras na primeira ou terceira pessoa.Vive a vida em surdina, uma vez que a reforma antecipada foi motivada por problemas de audição. As conversas que tem, ou tenta ter, as suas relações com a mulher, com o pai, com os filhos, colegas e também com uma jovem aluna fazem-nos reflectir sobre a condição humana nos últimos anos de vida… quando a “máquina” começa a falhar.
Sempre cheio de humor lembra-nos que, na imaginação das pessoas, a surdez é cómica, enquanto a cegueira é trágica, mas isso é apenas um pequeno pormenor.
Se ainda não leu nenhum livro do autor compre este… Verá que um dia, quando inevitavelmente ler outro, dirá também que não há amor como o primeiro! Se já leu… não posso garantir que goste tanto deste como do primeiro que leu… apenas que não o desiludirá!


