Um homem muito procurado
Acabei de ler “Um homem muito procurado” de John le Carré. Dizer bem do livro de um dos meus autores preferidos seria fácil… Já sabia que gostaria antes de começar, antes de saber o tema, antes de saber sobre o que o mestre escreveria desta vez…
Vemos os telejornais, lemos as notícias nos jornais, e ficamos com a sensação (eu fico) que estamos a ver a ponta de um icebergue. Por detrás de cada notícia há geralmente vidas.
Um romance, é um romance e este não foge à regra. As personagens saíram da mente (brilhante) do mestre… Trata-se de ficção. Mas, mesmo assim, depois de o ler não posso deixar de pensar que muitas vezes a ponta do icebergue nos basta para julgarmos, para apontarmos o dedo, mesmo sabendo que essa ponta já foi pintada, que já nem branca é. Que, em alguns casos, pode já nem ser representativa da imensidão de gelo que ficou submergida.
Ao longo das 365 páginas John le Carré fala-nos de um homem que quer ser médico. De uma advogada, de um banqueiro e claro de muitos espiões de vários países.
No fim não podemos deixar de nos questionar sobre quem são os bons e os maus da fita. Se o homem muito procurado, que todos sabiam onde estava, não acabou por passar um dia pelas Lages, se não o vimos, num qualquer telejornal, vestido de laranja lá para os lados de Cuba…
Por mim, tenho agora mais uma razão para não julgar os outros pelos poucos segundos que me mostram das suas vidas. Sempre achei que, na maioria das vezes, sabemos pouco da vida das pessoas para as julgarmos, para atirarmos a primeira, ou a última, pedra.
Um romance a ler, como todos os outros do autor!


