O Menino de Cabul

A Clo tinha-me dito que estava entre os seus livros preferidos! Trouxe-o, há mais de um ano, e ali ficou a engrossar a “prateleira dos livros emprestados”.

Penso que, pelo menos uma vez, peguei nele e li uma página ou duas acabando por desistir porque, com certeza, não estava na altura certa para o ler. A verdade é que havia outros na lista para serem lidos na “prateleira de livros comprados que ainda não foram lidos”. É frequente comprar mais livros do que aqueles que consigo ler, embora saiba que, se tudo correr bem, serão lidos um dia!

Há uma semana ou duas alguém com quem já troquei alguns livros disse-me, à hora de almoço: Já leste o “Menino de Cabul”? Tens que ler…

Eram já duas opiniões, de duas pessoas que me conhecem, e que costumam saber do que é que eu gosto… A decisão estava tomada, seria esse o meu próximo livro de cabeceira!

Foi lá, na mesa de cabeceira, que o deixei agora… faltam algumas páginas para o acabar, talvez 10, e gostei tanto das que as precederam que  guardei estas para esta noite, se resistir até lá!

Se tivesse que lhe dar nome chamar-lhe-ia “Os meninos de Cabul”. Não conta a vida de um mas, pelo menos, de três meninos que passam parte das suas vidas em Cabul! O último, que aparece quase no fim do livro, é o sinal de esperança… Vem permitir a expiação das cobardias de um dos dois que começam a história! São três meninos de coragem que nos contam uma história de amizade onde não faltam também as mentiras escondidas durante uma vida inteira e os momentos dramáticos!

Baba, o pai de dois dos meninos, não era afinal tão perfeito como o filho julgava. Também ele, o homem forte e corajoso, tinha na sua história momentos de fraqueza, também ele tinha “pecados” que teriam de ser expiados, muito mais tarde, pelo próprio filho.

No ponto em que deixei o livro, o autor, Khaled Hosseini, avisa-nos que na os Americanos detestam que se lhes conte o fim das histórias. Utiliza para isso um episódio em que o protagonista conta, num clube de vídeo, o fim dos “Sete magníficos” a um desconhecido… Não sei se será um prenúncio para, também ele, não nos contar como a história acaba ou, se simplesmente, nos avisa que uma boas história não tem fim!

Uma boa história vale por si… Pelo tempo que dura. Todas as histórias continuam e por isso não tem fim…. Muitas chegam simplesmente a um ponto onde não vale a pena continuar a contá-las.. Chegam ao ponto onde acabam os contos de fadas tornando-se enfadonhos: “Casaram e foram felizes”…

Pelas folhas que me faltam ler, tenho quase a certeza que não seguiremos a vida deste terceiro menino como seguimos a do primeiro… Aquele que se torna escritor, aquele que sempre foi corajoso, embora nem sempre tenha sabido que o era!

O “Menino de Cabul”  já foi  lido por milhões de pessoas em todo o mundo e a história já foi passada, em 2007, para o grande ecrã… Como muitos outros livros, penso que terá partes de ficção e partes retiradas da própria história do autor. Uma história que nos fala do Afeganistão e dos conflitos que por lá passaram e que infelizmente não acabaram ainda. Que nos fala dos costumes e põe o dedo  em feridas que o seu próprio povo gostaria que não fossem divulgadas a nível mundial.

Um livro que nos fala de amizade, de coragem, de lealdade e de cobardia! O primeiro livro, escrito em inglês, de um jovem escritor que, como um dos meninos que retrata, tem um dom especial para a escrita, fugindo sempre que possível dos clichés mas não os evitando quando é preciso!

Obrigado Clo… Sei que sentes falta dele na tua estante… por mim pode voltar para lá em breve… Um dia gostava que o A. e a I. o lessem também.  Julgo que ainda é cedo para os dois e por isso um dia destes  haverá certamente um exemplar na estante dos “Livros que gostaria que os meus filhos lessem um dia”.

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1 Comentário

  • By Patricia Anzanello, 8 de Fevereiro de 2009 @ 13:41

    Fiquei com vontade de lê-lo.
    Mas ainda tenho alguns outros aguardando leitura.

    Obrigada,

    Pat Anzanello

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