Uma conversa sobre a morte dos blogues
Já falei no Ninguém Lê, por mais que uma vez, do blogue Orsai e do seu autor o argentino Hernán Casciari.
Acabo de ler a última entrada no seu blogue: a transcrição de uma conferência onde falou da já muito falada morte dos blogues.
O texto, bem escrito e cheio de humor como de costume, faz uma análise à moda ou ao fenómeno dos blogues e explica muito bem, na minha opinião, porque é que Hermán acredita existirem poucos bloggers no Evento Blog 2008 .
Segundo ele, existiam dois grandes tipos de utilizadores da ferramenta blogue:
“Por um lado havia as pessoas que utilizavam a ferramenta blogue por uma razão pontual (a necessidade é anterior à emergência); e por outro havia as pessoas que têm um blogue mas não sabem para o que o querem (a emergência é anterior à necessidade)”
Aos primeiros não deveria chamar-se bloggers mas sim continuar a chamar escritores, estudantes, informáticos, professores, poetas, arquitectos, etc…
A designação fazia falta apenas para designar o segundo grupo (onde humildemente me incluo) porque estas pessoas utilizam a ferramenta porque ela existe e logo verão depois o que fazer com ela…
Foi assim que nasceu o Ninguém Lê… Explorar uma ferramenta deixando para depois a decisão do que fazer com ela! Felizmente que já vi nascer projectos que incluíam blogues, de professores e alunos que continuarão sempre a ser apenas professores e apenas alunos (mesmo que acredite que sempre foram excelentes professores e que ficaram melhores alunos) afinal nunca ninguém se lembrou de tratar o Herman por Caderneiro, Computador 286 ou Wordprefecteiro quando utilizou estas ferramentas para escrever.
A grande prova de que a ferramenta não faz o mestre é que, como alguém me dizia há pouco tempo, provavelmente José Saramago (que agora também tem um blogue) escreve num computador e num processador de texto muito parecidos com o meu!
Mesmo sabendo que as motivações do Hermán, para a participar activamente na conferência, estiveram relacionadas com a gastronomia de Sevilha…. vale a pena ler o texto original aqui.


